Pedaços

quinta-feira, janeiro 30, 2014

Perguntas

Gostaria de poder perguntar, poder saber... Se sentirias a minha falta.
Se procuras quando não estou, se dás sequer pela minha falta.
Se pensas em mim quando vais dormir ou se eventualmente te lembras de mim quando acordas.
Se te preocupas, ou se nem sequer te importas.
Se me saberias pedir desculpa... Se me perguntarias: "quando voltas?"
Se me dirias que precisas desabafar... Se confias em mim para chorar.
Se também te ris comigo.
Se sonhas com outros dias.
Se sabes realmente o que queres, o que realmente importa. O que me importas.
Sabes?
Sabes de mim? Que eu existo?
Sabes o meu nome?


Eu já me esqueci, mas se perguntarem, diz-lhes que eu já...

terça-feira, janeiro 21, 2014

Ideia de negócio

Em tempos de crise diz-se que "migalhas  são pão" ou pelo menos a minha avó dizia. Também se diz que devemos ser empreendedores, inovadores e "não ter medo de arriscar". 
É nesta conjuntura que me surge uma ideia de negócio, que não podia deixar de partilhar convosco: 
Passar atestados. Sim, é isso mesmo, atestados.
Reparem, afinal há tanta gente destemida por aí, e com tanto potencial. Também convenhamos, gerir uma empresa destas não requer muita ciência. 
Qualquer indivíduo, de qualquer faixa etária, independentemente do sexo, localização geográfica, com doutoramento ou 4ª classe, com um palácio ou sem um buraco onde cair morto, está habilitado a passar um atestado.
Passo a explicar: Há seres que nascem iluminados, dotados de uma chico esperteza anormal, que são superdotados em passar atestados de otários e de burrice a terceiros.
Aparentemente basta uma análise leve e superficial para concluir que determinado indivíduo, que por sua vez nem sabe, mas precisa dum atestado, "é muito burro e tem cara de otário, só porque eu sou muito inteligente."
Pois é meus caros, a contar pela quantidade de atestados que são passados sem ninguém lhes pedir nem cobrar nada, deixo-vos o meu conselho: façam dinheiro com isso. Enriqueçam a vossa carteira, já que o vosso cérebro já nada tem a lucrar convosco.

Não queria deixar de aproveitar a oportunidade para agradecer a amabilidade de todos/as aqueles/as que gentilmente sem eu pedir nada, me passaram os ditos atestados gratuitamente. 
Com tanta inteligência só não sei como ainda ninguém tinha pensado nisto.

Fica a dica.

Potencial utente,

LP.

domingo, janeiro 19, 2014

Pieces of me.

Hoje resolvi escrever-te para te lembrar que és um pedaço de mim... Um pedaço quebrado, mas ainda assim enorme. Ainda assim meu, para sempre meu. Somos um do outro.
Tento colar-te a mim, encaixar-te na minha vida da melhor maneira que sei, sempre. Mas, uma peça quebrada, ainda que colada, nunca mais é uma peça, são duas. E tu já não és só duas peças... Já partiste tantas vezes... Lembras-te quantas? Eu não, mas sei que uma das vezes fui eu que te quebrei. E tu quebrado e partido, por fora e por dentro, foste embora.
Tenho remorsos. Muitos. Por isso escrevo-te.
Escrevo porque entre ânsias e insónias, sei que és um dos meus desassossegos. Dos meus pesos nas costas, no coração e na consciência.
Pergunto-me se algum dia me perdoarei por te ter quebrado. Se me perdoas. 
Perdoas, não perdoas? 
Quebra-me lembrar que te quebras um pouco mais todos os dias... 
Estás feito em pedaços. E há peças que já não encaixam... No fim de contas, tudo se deteriora com o tempo, e os anos também passam para ti. 
Gostava que estivesses num sítio mais digno de ti, onde pudesses envelhecer em conforto... 
Onde o teu estado de conservação interior e exterior fosse preservado... 
Gostava de poder cuidar de ti. Todos os dias. 
Mas não posso... 
Nunca me esqueço de ti. Não me esqueço da cola que nos une, nós, pedaços um do outro, partidos, feitos em pedaços, despedaçados, mas pedaços iguais.
Perdoa por te ter obrigado a partir, mas não esqueças que no "museu" do meu coração, serás sempre dos Pedaços mais valiosos. És o maior "P" da minha vida, P.

Patrícia. 

quarta-feira, janeiro 08, 2014

Mafarrico 2013

2013, meu mafarrico... 2012 despediu-se de mim dizendo que tu vinhas aos trambolhões, e vieste mesmo... Disse para eu te receber, ficar contigo, se pudesse, mas para me preparar para sofrer.
Eu abracei-te, recebi-te e aceitei-te tanto quanto pude.
Fizeste-me andar de montanha russa, dançar o tango quando quiseste, sem sequer me avisar. Brigamos algumas vezes, mas nunca deixei de te aceitar.
Vivi-te como te tinha de viver, como todas as pessoas que tive de viver, e não morri. Amei-te sempre. Amei sempre.
Mas... Agora que te foste embora, vou abraçar 2014 sem nunca te esquecer; Sim, prometo-te!
Também tivemos tantos dias de sol,não tivemos? É a esses e aquelas pessoas todas que me fazem querer sempre ser melhor, que me fazem bem e melhor, aquelas (e só aquelas) que me amam e me concedem o carinho de serem amadas por mim que quero me envies para 2014, sim?
Fazes isso em honra do que de nós ficou? Tenho a certeza que sim, pois levar-te-ei comigo.
Até sempre, "porque sempre, não é demasiado tempo."

segunda-feira, janeiro 06, 2014

Sal...

Esqueci-me do sabor delas... Acho que a última vez que as tinha provado foi no dia do meu aniversario.
Durante um daqueles telefonemas em que mesmo sem querer te tocam nas feridas. Talvez pela sensibilidade do dia ou mesmo quem sabe pelo simples facto de estar a envelhecer, provei-as.
Depois disso não me lembrava de ter voltado a acontecer.
Até hoje.
Voltei a prova-las e estavam algo diferentes. 
Mais salgadas... Estavam guardadas já há muito. Como que em fase de congelamento...
Eram pesadas... Carregadas de tanto. De tudo. E nada.
Ferviam agora. Cara abaixo. Em silêncio.
Vinham do vazio, caiam no vazio, pelo vazio.
Seguiram-se umas doses delas...
...