quinta-feira, julho 16, 2009

HIV

Hoje decidi que tinha de escrever sobre isto...

Tenho conversado com uma pessoa que provavelmente já mudou a minha vida... Há dias perguntou-me "Já alguma vez fizeste o teste do HIV?" e fiquei suspensa na pergunta... Não, nunca fiz.
Essa pessoa sente receio de estar infectada e tenho vivido lado a lado com ela e partilhado a angústia dela, o medo, a paranóia de estar infectada... Não consigo sequer suportar a ideia de que algo assim me possa acontecer... Bastava-me a mim ter essa dúvida para provavelmente passar muitas noites em claro, não conseguir ser minimamente racional...
É um tormento... Dou comigo imensas vezes a pensar nisto ao dia... É algo tão real, mas parece que fica adormecido na nossa mente... Ouvimos falar disto quase todos dias, no entanto ignoramos.

Eu sinto que só agora realizei o quanto quero realmente poder vir a ter uma família, a minha, e saudável. Quero ter a oportunidade de viver, livremente... Comigo e com os outros...

Hoje, rezo que essa pessoa esteja saudável... E sinto, que apesar de nunca me ter exposto a riscos, eu mesma já levei uma lição de vida só por a acompanhar nesta caminhada até ao resultado dos testes...

E tu? Já pensaste nisto?

terça-feira, junho 23, 2009

Olhos de Ver

Sabem quando não há nada de novo para contar? Quando nos perguntam "O que tens? O que se passa?" e na verdade "Não se passa nada"... E o facto de "não se passar nada" nos incomoda...?
Quem nunca se sentiu assim?

Quem nunca sentiu que era um mero espectador da sua vida? Que a via passar à frente... De fora...

Mas felizmente somos sempre o actor principal da nossa história... E não é preciso estar apaixonada para ver a vida em tons de rosa...

Para conseguir sorrir com o sorriso duma criança...

Para me sentir em casa cada vez que chego à minha terra...

Para acordar e dizer à minha mãe "Bom dia Alegria!" e receber o maior sorriso do mundo...

Para abraçar os meus amigos e ver o sol nos seus corações...

Para ajudar quem não conheço...

Para dizer que gosto de ti, dele e dela e do outro também.

Para dizer que sou tão feliz com tão pouco!
E afinal... "Passa-se tanta coisa!"

Abram os vossos corações... Deixem que os pormenores iluminem o vosso caminho... Porque nada mais vale do que nos sentirmos vivos...

[meu sorriso.]

Chuva...


As coisas vulgares que há na vida
não deixam saudades

Só as lembranças que doem

Ou fazem sorrir...

Há gente que fica na história
da história da gente

E outras de quem nem o nome

lembramos ouvir...


São emoções que dão vida
à saudade que trago
Aquelas que tive contigo

e acabei por perder...


Há dias que marcam a alma

e a vida da gente

E aquele em que tu me deixaste

não posso esquecer
...

A chuva molhava-me o rosto

Gelado e cansado

As ruas que a cidade tinha

Já eu percorrera...


Ai... meu choro de moça perdida

Gritava à cidade

Que o fogo do amor sob chuva

Há instantes morrera
...


A chuva ouviu e calou

meu segredo à cidade

E eis que ela bate no vidro

Trazendo a saudade...

terça-feira, junho 02, 2009

A beleza feminina... Descrita por um Homem.

"Não importa o quanto pesa. É fascinante tocar, abraçar e acariciar o corpo de uma mulher. Saber seu peso não nos proporciona nenhuma emoção.

Não temos a menor idéia de qual seja seu manequim. Nossa avaliação é visual, isso quer dizer, se tem forma de guitarra... está bem. Não nos importa quanto medem em centímetros - é uma questão de proporções, não de medidas.

As proporções ideais do corpo de uma mulher são: curvilíneas, cheinhas, femininas... . Essa classe de corpo que, sem dúvida, se nota numa fração de segundo. As magrinhas que desfilam nas passarelas, seguem a tendência desenhada por estilistas que, diga-se de passagem, são todos gays e odeiam as mulheres e com elas competem. Suas modas são retas e sem formas e agridem o corpo que eles odeiam porque não podem tê-los.

Não há beleza mais irresistível na mulher do que a
feminilidade e a doçura. A elegância e o bom trato, são equivalentes a mil viagras.

A maquiagem foi inventada para que as mulheres a usem. Usem! Para andar de cara lavada, basta a nossa. Os cabelos, quanto mais tratados, melhor.

As saias foram inventadas para mostrar suas magníficas pernas.. Porque razão as cobrem com calças longas? Para que as confundam conosco? Uma onda é uma onda, as cadeiras são cadeiras e pronto. Se a natureza lhes deu estas formas curvilíneas, foi por alguma razão e eu
reitero: nós gostamos assim. Ocultar essas formas, é como ter o melhor sofá embalado no sótão.

É essa a lei da natureza... que todo aquele que se casa com uma modelo magra, anoréxica, bulêmica e nervosa logo procura uma amante cheinha, simpática, tranqüila e cheia de saúde.

Entendam de uma vez!

Tratem de agradar a nós e não a vocês. porque, nunca terão uma referência objetiva, do quanto são lindas, dita por uma mulher. Nenhuma mulher vai reconhecer jamais, diante de um homem, com
sinceridade, que outra mulher é linda!

As jovens são lindas... mas as de 40 para cima, são verdadeiros pratos fortes. Por tantas delas somos capazes de atravessar o atlântico a nado. O corpo muda... cresce. Não podem pensar, sem ficarem psicóticas que podem entrar no mesmo vestido que usavam aos 18. Entretanto uma mulher de 45, na qual entre na roupa que usou aos 18 anos, ou tem problemas de desenvolvimento ou está se auto-destruindo.

Nós gostamos das mulheres que sabem conduzir sua vida com equilíbrio e sabem controlar sua natural tendência a culpas. Ou seja, aquela que quando tem que comer, come com vontade (a dieta virá em setembro, não antes; quando tem que fazer dieta, faz dieta com vontade (não se saboteia e não sofre); quando tem que ter intimidade com o parceiro, tem com vontade; quando tem que comprar algo que goste, compra; quando tem que economizar, economiza.

Algumas linhas no rosto, algumas cicatrizes no ventre, algumas marcas de estrias não lhes tira a beleza. São feridas de guerra, testemunhas de que fizeram algo em suas vidas, não tiveram anos 'em formol' nem em spa... viveram! O corpo da mulher é a prova de que Deus existe. É o sagrado recinto da gestação de todos os homens, onde foram alimentados, ninados e nós, sem querer, as enchemos de estrias, de cesárias e demais coisas que tiveram que acontecer para estarmos vivos.

Cuidem-no! Cuidem-se! Amem-se! A beleza é tudo isto.
"

[Paulo Coelho]

quarta-feira, maio 20, 2009

Não sei...

"Não sei, mas há um sentimento novo em mim a teu respeito...
Seria preciso que tu viesses debaixo de uma grande chuva, cheia de uma piedade infinita, e que me desses imediatamente todo o teu carinho - todo o carinho da tua alma.

Seria preciso que me desses meu abandono, todo o teu abandono. Que só eu estivesse em ti, que me abrigasses no teu coração com uma violência realmente maternal. Seria preciso tudo isso para que o nosso amor estivesse salvo.

É preciso que saibas que tenho sofrido estes dias e por onde tenho andado. É preciso que eu me confesse a ti. Mas não o posso. Não tenho, em ti, a grande confiança que é o sinal da unidade das almas.

No fundo de mim, há uma grande reserva a teu respeito. Uma movimentada atitude de espreita. Será melhor morrer do que continuar assim. Procedeste com uma futilidade que nunca te perdoarei... Nada neste mundo te deveria fazer deixar de estar comigo domingo, neste domingo em que ia ter contigo, em que eu ia pensar contigo.

Perdoei sempre as tuas indecisões a meu respeito, mas não posso esquecer que preferiste a mim essa vida estúpida e nua de praia de banho.

É melhor não me veres mais do que me fazeres sofrer assim. Não perdôo a tua leveza diante de minha alma, alma trágica, a alma de uma gravidade que não supões, de uma experiência na dor e no pensamento que a tua infância não sabe avaliar. Eu me enganei contigo. O meu amor não devia ser teu. Tu o desconheces inteiramente. Tu não lhe prestas a atenção que ele merece.

Estou sozinho. Mil vezes não te tivesse conhecido. Mil vezes não tivesse encontrado essa aparência que és tu, incapaz de uma longa degradação como eu sou. O que me causa horror é o seu desapreço por mim, homem de pensamentos, a tua desatenção pelo espírito que eu sou. Que tenhas feito do homem uma longa brincadeira, está bem, é de mulher nascida de mulher, embora não seja nobre nem justo - mas que tenhas te esquecido de mim..."

sexta-feira, maio 15, 2009

Conversas com o Espelho

Faz tempo que eu não marco encontros na agenda contigo Liliana...
Faz tempo que não te dedico o meu tempo...
Faz tempo que não vou tomar um café contigo e fico a ouvir-te em silêncio até tu te cansares de falar...
Faz tempo que eu não deixo que os teus olhos expulsem lágrimas que a tua alma não quer mais...
Faz tempo que a tua companhia se tornou a música e os livros...
Faz tempo que não vamos ver o mar...
Que não me sento contigo... Que te deixo ser quem és... Que te deixo libertares-te...

Tenho saudades tuas Liliana... E a culpa é minha...

É mais fácil para mim evitar-te... Esconder-me de ti... Esconder-me dos teus sentimentalismos... Das tuas fraquezas e sensibilidades... Vivo melhor sozinha com a minha racionalidade... Mais terra a terra... Mas contudo, menos coração a coração...

Tenho saudades Liliana...

Às vezes esqueço-me que não serve de nada proteger-me, esquecendo-me de ser quem sou...

Mas prometo-te: Há-de chegar o nosso tempo, eu vou procurar-te dentro de mim e vou agarrar-te... E vamos ver o mar... Vamos chorar... E vamos voltar para casa de mão dada...

E há-de fazer-se o tempo...
Tempo de ter paz comigo...
Contigo Liliana...


LP

terça-feira, maio 12, 2009

Mil Vezes...


Quando uma alma se aproxima da nossa vida com o intuito de ficar, não o faz somente em busca de conhecimento, apoio ou qualquer tipo de suporte. É por aqueles pedaços que vão levando, e por aqueles vão deixando, que ficam na nossa vida por determinado intervalo de tempo...
Até cumprirem a sua missão... Mas...
Mil vezes não houvessem missões a cumprir, não houvessem pedaços para deixar...
Menos ainda para levarem...
Mil vezes a nossa vida não passasse a ser a vida deles...
Mil vezes não tivessemos que abrir mão daquilo a que nos habituamos a ter...
Mil vezes nao tivessemos que abrir mão de nós...
Mil vezes não tivessemos que abrir mão de alguém para descobrirmos que ainda gostamos de nós mesmos...
Mil vezes não tivessemos que sorrir com meras lembranças...
Mil vezes não existesse o passado.
Mil vezes não houvesse noção de tempo.
Mil vezes o tempo não estivesse restrito à duração de uma vida...
Mil vezes a vida não estivesse restrita à morte...
Mil vezes a morte não fosse a ùltima saída...
Mil vezes a vida não fosse o oposto da morte...
Mil vezes a vida nao fosse o começo do fim...
Mil vezes o amor desse mais vida do que se morresse de amor...
Mil vezes o amor nascesse com a vida e jamais morresse com a morte...
Mil vezes voltar a nascer...
Mil vezes aprender a Andar.
Falar.
Mil vezes Escutar.
Mil vezes abraçar.
Sorrir.
Meditar.
Saborear.
Mil vezes deitar a sorrir.
Acordar a cantar.
Mil vezes comer o nosso prato preferido.
Mil vezes usar o nosso perfume especial.
Mil vezes sentirmo-nos uteis.
Mil vezes ouvirmos o coração bater.
Mil vezes gravar momentos.
Mil vezes falar sem medo.
Rir sem receio.
Pensar sem barreiras.
Mil vezes festejar.
Mil vezes mandar flores.
Enviar cartas.
Oferecer presentes.
Mil vezes ficar acordado a olhar a noite.
As estrelas.
A ti.
Mil vezes sonhar acordado.
Mil vezes sonhar alto.
Mil vezes desejar.
Mil vezes viajar.
Mil vezes ouvir a tua música favorita.
Mil vezes sentir a adrelina.
Mil vezes temer a vida.
Mil vezes correr o risco.
Mil vezes aventurar-se.
Mil vezes andar sem olhar para trás.
Mil vezes ir em frente.
Mil vezes remar a bom porto.
Mil vezes atravessar a ponte sem medo de cair.
Mil vezes levantar.
Mil vezes dar a mão.
Mil vezes torcer por nós.
Mil vezes olhar pra ti e não cansar. Gostar.
Mil vezes admirar o teu sorriso.
Sorrir contigo.
Mil vezes perder-me contigo.
Comigo.
Sem mim.

Mil vezes...

Mil vezes não dizer adeus.
Mil vezes, até sempre.

[2007]