domingo, dezembro 29, 2013

Palavras para a minha mãe.

"Mãe, tenho pena. esperei sempre que entendesses as palavras que nunca disse e os gestos que nunca fiz.

Sei hoje que apenas esperei, mãe, e esperar não é suficiente.
pelas palavras que nunca disse, pelos gestos que me pediste tanto e eu nunca fui capaz de fazer, quero pedir-te desculpa, mãe, e sei que pedir desculpa não é suficiente.

às vezes, quero dizer-te tantas coisas que não consigo, a fotografia em que estou ao teu colo é a fotografia mais bonita que tenho, gosto de quando estás feliz.

lê isto: mãe, amo-te.

eu sei e tu sabes que poderei sempre fingir que não escrevi estas palavras, sim, mãe, hei-de fingir que não escrevi estas palavras, e tu hás-de fingir que não as leste, somos assim, mãe, mas eu sei e tu sabes."

José Luís Peixoto

sábado, dezembro 28, 2013

Tudo e nada.

É antes de um novo ano começar que finalmente compreendo que temos de perder tudo, para começarmos a ganhar.
Temos de não ter nada. Porque o nada passará a ser tudo o que temos. 
E quando não há nada a perder, há tudo para ganhar.
É preciso perder pessoas...
É preciso perder amizades...
Empregos.
Dinheiro.
Objectos.
É preciso ficar sem nada para se ser livre para ganhar tudo.
Para começar de novo.
É preciso gastar palavras... Até se ficar sem elas, até não haver nada a perder por as dizermos.
É preciso sentir-se só para saber que já se teve companhia.
É preciso perder do nosso tempo, para se ganhar tempo futuro.
É preciso não ter nada, para ter tudo. E quando tudo o que temos é nada, qualquer sopro de vida é tudo. 
Welcome a board 2014.

sábado, dezembro 21, 2013

Um ano após outro...

21 de Dezembro de 2012.
Há exactamente um ano atrás a minha vida era tão diferente. Tanto, que quase parece que não foi minha.
Estava desempregada.
Estava noutra cidade.
Estava com quem queria estar.
Estava feliz.
Hoje, estou noutro caminho, com um emprego... E com um vazio. 
Não estou com quem queria estar. Não estou infeliz mas sinto uma certa ausência de felicidade.
Nunca se pode ter tudo, e um ano após outro, vou tendo tudo, e nada... 
Vou resistindo, vou ganhando.
Vou-me perdendo, e encontrando.

quarta-feira, novembro 27, 2013

Como quando era pequenina...

Partilhávamos uma manta no sofá, quando os seus olhos cor de avelã me fitaram e perguntaram: "Lily, ainda gostas de mim como quando eu era pequenina e pegavas em mim ao colo?"
Puxei-a para mim, sentei-a no meu colo e colei os meus olhos nos seus.
"Não só gosto de ti como quando eras pequenina, mas gosto muito mais. Tal como tu cresces todos os dias, também o meu amor por ti cresce. É incondicional.
Vais ser velhinha, e eu também, e eu ainda vou gostar de ti, não só como quando pegava em ti ao colo, mas muito mais... Ainda pego em ti ao colo querida, mas quando já não conseguir fazê-lo, vou carregar-te sempre no coração, sim?"
Ela encostou a cabeça no meu ombro e assentiu.
"Sabes, também gosto de ti, desde que era pequenina, agora já sou grande, ainda vou ser mais, mas vou sempre gostar."

segunda-feira, novembro 25, 2013

Outros tempos

Acordei com uma ressaca de nostalgia, e tudo o que sinto são dores de saudades em mim. Pouco me lembro do que aconteceu, à excepção de todas as memórias cravadas na pele, todos os sorrisos sublinhados nos lábios e todas as felicidades tatuadas no coração.
Passou tanto tempo, o relógio deu tantas voltas, a hora já mudou duas vezes, o que significa que voltamos ao mesmo... Tempo.
E assim me sinto, parada no tempo. No que foi meu... E nem todo o tempo do mundo é suficiente para apagar esse tempo, para o esquecer... 
Falta-me o tempo e a vontade de viver noutros tempos... Pois tudo o que trago em mim são saudades, de ter saudades de uma outra coisa, como tenho desse tempo... Saudades. 

quinta-feira, outubro 24, 2013

Tocar.


"Há pessoas que nos tocam assim", foi o título que lhe quis dar porque de facto me tocou. 
Há pessoas que nos tocam como se um instrumento fossemos. Digo um instrumento, não um objecto, porém, ha também quem nos toque como tal. 
Ha pessoas que nos tocam como quem toca violoncelo, fazem música no nosso corpo, tocando nas cordas da nossa alma.


Outras que nos tocam como quem toca piano; nunca nos é indiferente.
Quem nos toque e nem sentimos... E aqueles que fariam de tudo para nos poderem tocar...
Aqueles em quem sonhamos poder tocar... E os que são insensíveis ao toque...
Há quem fique tocado do vinho e quem nunca lhe toque.
Há quem se toque, ou nunca se toque de todo.
Há toques de leve, há toques de se fazer sentir... E há quem fique touché. 
Há quem fale como se tocasse... Quem toque como se falasse... Há quem se faça sentir sem nunca tocar.
Toquei-te?

segunda-feira, outubro 21, 2013

20 segundos

E se hoje eu tivesse 20 segundos de coragem insana... 
Diria uns quantos "adoro-te". Uns "não sonhas o quanto te quero bem". 
Uns tantos "desculpa". 
Faria um pedido de perdão.
Falaria das saudades que sinto.
Mandava alguns "para o caralho".
Sorria desmedidamente.
Compraria o primeiro bilhete sem destino mas que sei exactamente onde me levaria. E eventualmente voltaria à minha sanidade insana... Porque provavelmente já teriam passado 20 segundos.