quarta-feira, janeiro 08, 2014

Mafarrico 2013

2013, meu mafarrico... 2012 despediu-se de mim dizendo que tu vinhas aos trambolhões, e vieste mesmo... Disse para eu te receber, ficar contigo, se pudesse, mas para me preparar para sofrer.
Eu abracei-te, recebi-te e aceitei-te tanto quanto pude.
Fizeste-me andar de montanha russa, dançar o tango quando quiseste, sem sequer me avisar. Brigamos algumas vezes, mas nunca deixei de te aceitar.
Vivi-te como te tinha de viver, como todas as pessoas que tive de viver, e não morri. Amei-te sempre. Amei sempre.
Mas... Agora que te foste embora, vou abraçar 2014 sem nunca te esquecer; Sim, prometo-te!
Também tivemos tantos dias de sol,não tivemos? É a esses e aquelas pessoas todas que me fazem querer sempre ser melhor, que me fazem bem e melhor, aquelas (e só aquelas) que me amam e me concedem o carinho de serem amadas por mim que quero me envies para 2014, sim?
Fazes isso em honra do que de nós ficou? Tenho a certeza que sim, pois levar-te-ei comigo.
Até sempre, "porque sempre, não é demasiado tempo."

segunda-feira, janeiro 06, 2014

Sal...

Esqueci-me do sabor delas... Acho que a última vez que as tinha provado foi no dia do meu aniversario.
Durante um daqueles telefonemas em que mesmo sem querer te tocam nas feridas. Talvez pela sensibilidade do dia ou mesmo quem sabe pelo simples facto de estar a envelhecer, provei-as.
Depois disso não me lembrava de ter voltado a acontecer.
Até hoje.
Voltei a prova-las e estavam algo diferentes. 
Mais salgadas... Estavam guardadas já há muito. Como que em fase de congelamento...
Eram pesadas... Carregadas de tanto. De tudo. E nada.
Ferviam agora. Cara abaixo. Em silêncio.
Vinham do vazio, caiam no vazio, pelo vazio.
Seguiram-se umas doses delas...
...

domingo, dezembro 29, 2013

Palavras para a minha mãe.

"Mãe, tenho pena. esperei sempre que entendesses as palavras que nunca disse e os gestos que nunca fiz.

Sei hoje que apenas esperei, mãe, e esperar não é suficiente.
pelas palavras que nunca disse, pelos gestos que me pediste tanto e eu nunca fui capaz de fazer, quero pedir-te desculpa, mãe, e sei que pedir desculpa não é suficiente.

às vezes, quero dizer-te tantas coisas que não consigo, a fotografia em que estou ao teu colo é a fotografia mais bonita que tenho, gosto de quando estás feliz.

lê isto: mãe, amo-te.

eu sei e tu sabes que poderei sempre fingir que não escrevi estas palavras, sim, mãe, hei-de fingir que não escrevi estas palavras, e tu hás-de fingir que não as leste, somos assim, mãe, mas eu sei e tu sabes."

José Luís Peixoto

sábado, dezembro 28, 2013

Tudo e nada.

É antes de um novo ano começar que finalmente compreendo que temos de perder tudo, para começarmos a ganhar.
Temos de não ter nada. Porque o nada passará a ser tudo o que temos. 
E quando não há nada a perder, há tudo para ganhar.
É preciso perder pessoas...
É preciso perder amizades...
Empregos.
Dinheiro.
Objectos.
É preciso ficar sem nada para se ser livre para ganhar tudo.
Para começar de novo.
É preciso gastar palavras... Até se ficar sem elas, até não haver nada a perder por as dizermos.
É preciso sentir-se só para saber que já se teve companhia.
É preciso perder do nosso tempo, para se ganhar tempo futuro.
É preciso não ter nada, para ter tudo. E quando tudo o que temos é nada, qualquer sopro de vida é tudo. 
Welcome a board 2014.

sábado, dezembro 21, 2013

Um ano após outro...

21 de Dezembro de 2012.
Há exactamente um ano atrás a minha vida era tão diferente. Tanto, que quase parece que não foi minha.
Estava desempregada.
Estava noutra cidade.
Estava com quem queria estar.
Estava feliz.
Hoje, estou noutro caminho, com um emprego... E com um vazio. 
Não estou com quem queria estar. Não estou infeliz mas sinto uma certa ausência de felicidade.
Nunca se pode ter tudo, e um ano após outro, vou tendo tudo, e nada... 
Vou resistindo, vou ganhando.
Vou-me perdendo, e encontrando.

quarta-feira, novembro 27, 2013

Como quando era pequenina...

Partilhávamos uma manta no sofá, quando os seus olhos cor de avelã me fitaram e perguntaram: "Lily, ainda gostas de mim como quando eu era pequenina e pegavas em mim ao colo?"
Puxei-a para mim, sentei-a no meu colo e colei os meus olhos nos seus.
"Não só gosto de ti como quando eras pequenina, mas gosto muito mais. Tal como tu cresces todos os dias, também o meu amor por ti cresce. É incondicional.
Vais ser velhinha, e eu também, e eu ainda vou gostar de ti, não só como quando pegava em ti ao colo, mas muito mais... Ainda pego em ti ao colo querida, mas quando já não conseguir fazê-lo, vou carregar-te sempre no coração, sim?"
Ela encostou a cabeça no meu ombro e assentiu.
"Sabes, também gosto de ti, desde que era pequenina, agora já sou grande, ainda vou ser mais, mas vou sempre gostar."

segunda-feira, novembro 25, 2013

Outros tempos

Acordei com uma ressaca de nostalgia, e tudo o que sinto são dores de saudades em mim. Pouco me lembro do que aconteceu, à excepção de todas as memórias cravadas na pele, todos os sorrisos sublinhados nos lábios e todas as felicidades tatuadas no coração.
Passou tanto tempo, o relógio deu tantas voltas, a hora já mudou duas vezes, o que significa que voltamos ao mesmo... Tempo.
E assim me sinto, parada no tempo. No que foi meu... E nem todo o tempo do mundo é suficiente para apagar esse tempo, para o esquecer... 
Falta-me o tempo e a vontade de viver noutros tempos... Pois tudo o que trago em mim são saudades, de ter saudades de uma outra coisa, como tenho desse tempo... Saudades.