domingo, fevereiro 16, 2014

Carinho

Tenho sonhado, muito. Toda a vida sonhei  bastante. Alguns chamaram-me de sonhadora até...
Esta noite sonhei com carinho... 
Não com carinho por, mas com o sentir carinho.
Há tantos gestos de carinho que ficam presos em mãos que não se unem... 
Em abraços que ficam gelados em braços que não se estendem... Carinho que fica em corações que não se abrem.
Sonhei com carinho.
Ainda o sentia quando acordei.
Sonhei com alguma alma carinhosa que julgo não conhecer, mas que espero  encontrar...
Com os olhos de quem enxerga o bom naquilo que vê...
Quem se expressa em palavras carinhosas...
Quem só tem carinho em si para dar.
Cruzei-me com poucas almas assim até hoje... 
Vi carinho puro em poucos olhares... Mas talvez por ser tão raro, também é tão fácil decifrar...
Sonhei...
Anyway... Obrigada por todo o carinho trocado, no tempo que o sonho me deu para sonhar.

segunda-feira, fevereiro 03, 2014

Walk of life...

"You will never walk Alone..."
E não... Sempre tenho alguém. Um ombro amigo, um anjo escondido.
Uma voz que me guia, uma alma que me guarda. Uma mão que me conduz, uma estrela que é a minha luz...
Uma bússola que me diz qual o caminho a seguir, uma voz cá dentro que se faz ouvir...
Um guia que leva pelos caminhos seguros, me acompanha nos bons e me auxilia nos escuros...
Nunca estou só. Tenho sempre os vossos braços abertos, em dias de céu limpo ou de chuviscos incertos...
Nunca se pode ter tudo, mas nunca posso dizer que não tenho nada... Enquanto vos tiver, caminhando comigo, lado a lado, na mesma estrada.

terça-feira, janeiro 21, 2014

Ideia de negócio

Em tempos de crise diz-se que "migalhas  são pão" ou pelo menos a minha avó dizia. Também se diz que devemos ser empreendedores, inovadores e "não ter medo de arriscar". 
É nesta conjuntura que me surge uma ideia de negócio, que não podia deixar de partilhar convosco: 
Passar atestados. Sim, é isso mesmo, atestados.
Reparem, afinal há tanta gente destemida por aí, e com tanto potencial. Também convenhamos, gerir uma empresa destas não requer muita ciência. 
Qualquer indivíduo, de qualquer faixa etária, independentemente do sexo, localização geográfica, com doutoramento ou 4ª classe, com um palácio ou sem um buraco onde cair morto, está habilitado a passar um atestado.
Passo a explicar: Há seres que nascem iluminados, dotados de uma chico esperteza anormal, que são superdotados em passar atestados de otários e de burrice a terceiros.
Aparentemente basta uma análise leve e superficial para concluir que determinado indivíduo, que por sua vez nem sabe, mas precisa dum atestado, "é muito burro e tem cara de otário, só porque eu sou muito inteligente."
Pois é meus caros, a contar pela quantidade de atestados que são passados sem ninguém lhes pedir nem cobrar nada, deixo-vos o meu conselho: façam dinheiro com isso. Enriqueçam a vossa carteira, já que o vosso cérebro já nada tem a lucrar convosco.

Não queria deixar de aproveitar a oportunidade para agradecer a amabilidade de todos/as aqueles/as que gentilmente sem eu pedir nada, me passaram os ditos atestados gratuitamente. 
Com tanta inteligência só não sei como ainda ninguém tinha pensado nisto.

Fica a dica.

Potencial utente,

LP.

domingo, janeiro 19, 2014

Pieces of me.

Hoje resolvi escrever-te para te lembrar que és um pedaço de mim... Um pedaço quebrado, mas ainda assim enorme. Ainda assim meu, para sempre meu. Somos um do outro.
Tento colar-te a mim, encaixar-te na minha vida da melhor maneira que sei, sempre. Mas, uma peça quebrada, ainda que colada, nunca mais é uma peça, são duas. E tu já não és só duas peças... Já partiste tantas vezes... Lembras-te quantas? Eu não, mas sei que uma das vezes fui eu que te quebrei. E tu quebrado e partido, por fora e por dentro, foste embora.
Tenho remorsos. Muitos. Por isso escrevo-te.
Escrevo porque entre ânsias e insónias, sei que és um dos meus desassossegos. Dos meus pesos nas costas, no coração e na consciência.
Pergunto-me se algum dia me perdoarei por te ter quebrado. Se me perdoas. 
Perdoas, não perdoas? 
Quebra-me lembrar que te quebras um pouco mais todos os dias... 
Estás feito em pedaços. E há peças que já não encaixam... No fim de contas, tudo se deteriora com o tempo, e os anos também passam para ti. 
Gostava que estivesses num sítio mais digno de ti, onde pudesses envelhecer em conforto... 
Onde o teu estado de conservação interior e exterior fosse preservado... 
Gostava de poder cuidar de ti. Todos os dias. 
Mas não posso... 
Nunca me esqueço de ti. Não me esqueço da cola que nos une, nós, pedaços um do outro, partidos, feitos em pedaços, despedaçados, mas pedaços iguais.
Perdoa por te ter obrigado a partir, mas não esqueças que no "museu" do meu coração, serás sempre dos Pedaços mais valiosos. És o maior "P" da minha vida, P.

Patrícia. 

quarta-feira, janeiro 08, 2014

Mafarrico 2013

2013, meu mafarrico... 2012 despediu-se de mim dizendo que tu vinhas aos trambolhões, e vieste mesmo... Disse para eu te receber, ficar contigo, se pudesse, mas para me preparar para sofrer.
Eu abracei-te, recebi-te e aceitei-te tanto quanto pude.
Fizeste-me andar de montanha russa, dançar o tango quando quiseste, sem sequer me avisar. Brigamos algumas vezes, mas nunca deixei de te aceitar.
Vivi-te como te tinha de viver, como todas as pessoas que tive de viver, e não morri. Amei-te sempre. Amei sempre.
Mas... Agora que te foste embora, vou abraçar 2014 sem nunca te esquecer; Sim, prometo-te!
Também tivemos tantos dias de sol,não tivemos? É a esses e aquelas pessoas todas que me fazem querer sempre ser melhor, que me fazem bem e melhor, aquelas (e só aquelas) que me amam e me concedem o carinho de serem amadas por mim que quero me envies para 2014, sim?
Fazes isso em honra do que de nós ficou? Tenho a certeza que sim, pois levar-te-ei comigo.
Até sempre, "porque sempre, não é demasiado tempo."

segunda-feira, janeiro 06, 2014

Sal...

Esqueci-me do sabor delas... Acho que a última vez que as tinha provado foi no dia do meu aniversario.
Durante um daqueles telefonemas em que mesmo sem querer te tocam nas feridas. Talvez pela sensibilidade do dia ou mesmo quem sabe pelo simples facto de estar a envelhecer, provei-as.
Depois disso não me lembrava de ter voltado a acontecer.
Até hoje.
Voltei a prova-las e estavam algo diferentes. 
Mais salgadas... Estavam guardadas já há muito. Como que em fase de congelamento...
Eram pesadas... Carregadas de tanto. De tudo. E nada.
Ferviam agora. Cara abaixo. Em silêncio.
Vinham do vazio, caiam no vazio, pelo vazio.
Seguiram-se umas doses delas...
...

domingo, dezembro 29, 2013

Palavras para a minha mãe.

"Mãe, tenho pena. esperei sempre que entendesses as palavras que nunca disse e os gestos que nunca fiz.

Sei hoje que apenas esperei, mãe, e esperar não é suficiente.
pelas palavras que nunca disse, pelos gestos que me pediste tanto e eu nunca fui capaz de fazer, quero pedir-te desculpa, mãe, e sei que pedir desculpa não é suficiente.

às vezes, quero dizer-te tantas coisas que não consigo, a fotografia em que estou ao teu colo é a fotografia mais bonita que tenho, gosto de quando estás feliz.

lê isto: mãe, amo-te.

eu sei e tu sabes que poderei sempre fingir que não escrevi estas palavras, sim, mãe, hei-de fingir que não escrevi estas palavras, e tu hás-de fingir que não as leste, somos assim, mãe, mas eu sei e tu sabes."

José Luís Peixoto