quarta-feira, maio 07, 2014

O preço das telhas

Creio que a visitei pela última vez em Janeiro... Fevereiro talvez.
A memória atraiçoa-me porque penso muitas vezes nela, e sinto-a sempre perto. 
Cheguei, abracei-a. E foi como se tivesse sido ontem realmente.
Perguntei como estava. Como estavam todos. 
E a Ró? 
"Vai-se aguentando. Agora enquanto ele não for embora, é uma fase muito difícil."
Foi assim que me puxou o tapete. Que a vida me puxou o tapete novamente.

Sabes o preço das telhas?
Eu não. Nunca comecei uma casa do inicío. Muito menos um lar. Nunca estive perto do telhado tão pouco.

A minha casa? Mandei as telhas pelo ar. Mando, ainda mando, pelo menos de todas as vezes que aqui escrevo.

Não tenho telhas de momento que possam esconder o que me dói por te saber a sofrer.  
O quanto eu queria que a vida fosse mais generosa contigo Ró. Sabes? Sabes o quanto?

As telhas partem-se em todos estes momentos que vejo a tua vida escangalhar-se. 
Cada vez que todos aqueles que eu adoro, fazem a vida em pedaços. 

Espero que a vida te permita construíres um outro castelo, com telhados de vidro.
Que te permitam aproveitar cada raio de sol, e que todos os dias tenhas luz na tua vida.
Que em dias de chuva, as gotas apenas escorram pelos telhados... E que possas apreciar a beleza delas. Há dias de chuva com o seu encanto.

Depois do que as telhas encobrem, elas deviam ser muito mais caras, sabiam?

quarta-feira, abril 09, 2014

Encolhendo ombros.

Esqueci-me...
De me preocupar...
Lembrei-me de me esquecer.
Alimento um certo egoísmo.
Partilho uma certa arrogância e frieza de quem nunca fui amiga. 
Aliei-me à ignorância. Não no sentido do saber, mas do não querer saber.
Desprezo falsos moralismos.
Não dou ouvidos a lamúrias.
Chamo tanta coisa de injúrias.
Já não me importo...
Durmo e por vezes acordo.
Penso mas já não reflito.
Avalio mas não julgo...
Nunca minto e nunca me arrependo.
Atiro verdades, repugno futilidades.
Esqueço-me de ser. De ver. De me lembrar. E em boa verdade, também já não quero saber. 

quinta-feira, março 06, 2014

Cegueira

Envelheci ouvindo dizer para não voltar aos sítios onde fui feliz.
Mas eu sempre volto.
Não com intenção, mas perco-me entre acessos de memória e pedaços de recordações guardadas.
É tão simples. 
Fecho os olhos e estás ali. Em tantas coisas, em tantos lugares, em tantas pessoas.
Estás mesmo onde tu não sabes.
Estás onde estivemos... Onde quisemos estar. Onde nunca estivemos. Onde eu fui sem ti, e desejei que lá estivesses.
E sim, eu volto, mesmo com todas as portas fechadas dentro de mim. 

Tranquei-te. Tenho-te trancado. Atravessado.
Para lá das masmorras das memórias, dos pensamentos que afasto, eu ainda te encontro.
Fecho os olhos e sempre te encontro. 
É tão mais fácil viver de olhos fechados. 
E no fim de contas, encontrei-te às cegas... 
E nem cega, jamais, algum dia deixarei de te ver...

terça-feira, fevereiro 18, 2014

Shame on...

"Tomaste consciência de que o que tu sentiste foi vergonha?"
Foi dito assim. Duro. Puro. Cru.
Senti o meu coração recuar... Esconder-se.
Envergonhado.
Toda eu me senti envergonhada, por ter sentido vergonha de ti. 
Por alguém me dar essa bofetada de palavras, que ainda me ardem na cabeça como que se as letras estivessem todas marcadas.
Mas respondi convicta e crua: Sim. 
Foi o SIM mais duro da minha vida, mas também o mais verdadeiro.
Tenho vergonha de ti.
Pela vergonha que me trazes... Pela humilhação que me fazes sentir. Passo os teus actos para mim, por isso sinto vergonha.
"Sim, hoje sei que tive medo e vergonha... Medo de me sentir humilhada." Por actos que não são meus, mas que me envergonham de tal forma como se fossem. 
Será possível?
Ja tive tanto orgulho em ti. Hoje tenho vergonha.
Contudo, gosto de ti...
Vou gostar sempre. Como pessoa... 
Sempre.
E a vergonha que sinto de ti é na qualidade que nos une, porque a nível humano, vais ser sempre o meu espelho... E apesar de imperfeito, lá no fundo, sinto Orgulho disso.
SIM, também Eu sou errante. 

domingo, fevereiro 16, 2014

Carinho

Tenho sonhado, muito. Toda a vida sonhei  bastante. Alguns chamaram-me de sonhadora até...
Esta noite sonhei com carinho... 
Não com carinho por, mas com o sentir carinho.
Há tantos gestos de carinho que ficam presos em mãos que não se unem... 
Em abraços que ficam gelados em braços que não se estendem... Carinho que fica em corações que não se abrem.
Sonhei com carinho.
Ainda o sentia quando acordei.
Sonhei com alguma alma carinhosa que julgo não conhecer, mas que espero  encontrar...
Com os olhos de quem enxerga o bom naquilo que vê...
Quem se expressa em palavras carinhosas...
Quem só tem carinho em si para dar.
Cruzei-me com poucas almas assim até hoje... 
Vi carinho puro em poucos olhares... Mas talvez por ser tão raro, também é tão fácil decifrar...
Sonhei...
Anyway... Obrigada por todo o carinho trocado, no tempo que o sonho me deu para sonhar.

segunda-feira, fevereiro 03, 2014

Walk of life...

"You will never walk Alone..."
E não... Sempre tenho alguém. Um ombro amigo, um anjo escondido.
Uma voz que me guia, uma alma que me guarda. Uma mão que me conduz, uma estrela que é a minha luz...
Uma bússola que me diz qual o caminho a seguir, uma voz cá dentro que se faz ouvir...
Um guia que leva pelos caminhos seguros, me acompanha nos bons e me auxilia nos escuros...
Nunca estou só. Tenho sempre os vossos braços abertos, em dias de céu limpo ou de chuviscos incertos...
Nunca se pode ter tudo, mas nunca posso dizer que não tenho nada... Enquanto vos tiver, caminhando comigo, lado a lado, na mesma estrada.

terça-feira, janeiro 21, 2014

Ideia de negócio

Em tempos de crise diz-se que "migalhas  são pão" ou pelo menos a minha avó dizia. Também se diz que devemos ser empreendedores, inovadores e "não ter medo de arriscar". 
É nesta conjuntura que me surge uma ideia de negócio, que não podia deixar de partilhar convosco: 
Passar atestados. Sim, é isso mesmo, atestados.
Reparem, afinal há tanta gente destemida por aí, e com tanto potencial. Também convenhamos, gerir uma empresa destas não requer muita ciência. 
Qualquer indivíduo, de qualquer faixa etária, independentemente do sexo, localização geográfica, com doutoramento ou 4ª classe, com um palácio ou sem um buraco onde cair morto, está habilitado a passar um atestado.
Passo a explicar: Há seres que nascem iluminados, dotados de uma chico esperteza anormal, que são superdotados em passar atestados de otários e de burrice a terceiros.
Aparentemente basta uma análise leve e superficial para concluir que determinado indivíduo, que por sua vez nem sabe, mas precisa dum atestado, "é muito burro e tem cara de otário, só porque eu sou muito inteligente."
Pois é meus caros, a contar pela quantidade de atestados que são passados sem ninguém lhes pedir nem cobrar nada, deixo-vos o meu conselho: façam dinheiro com isso. Enriqueçam a vossa carteira, já que o vosso cérebro já nada tem a lucrar convosco.

Não queria deixar de aproveitar a oportunidade para agradecer a amabilidade de todos/as aqueles/as que gentilmente sem eu pedir nada, me passaram os ditos atestados gratuitamente. 
Com tanta inteligência só não sei como ainda ninguém tinha pensado nisto.

Fica a dica.

Potencial utente,

LP.