domingo, agosto 17, 2014

Amanhã...

Começa já dentro de 2 horas e 19 minutos...
Amanhã começa um novo capítulo da minha história.
Um novo capítulo mas ainda assim um recomeço. Uma fé num futuro diferente de um passado presente.
"Só não consegue quem desiste" repito para mim baixinho, vezes sem conta... E cheia de medo, ponho os olhos na frente. Mordo o lábio, espero que todos os meus anjos da guarda se lembrem de mim...
Que me empurrem em frente, que me segurem, que cuidem de mim.

terça-feira, julho 15, 2014

Se arrependimento matasse...

Provavelmente já não escreveria este amontoado de palavras.
Diria muita boa gente: "Palavras, leva-as o vento"; "tristezas não pagam dívidas" e para terminar o rol de frases feitas: "Desculpas não se pedem..."; bom, esta nem preciso de gastar o meu tempo a terminar. Quem nunca pediu desculpa?
Hoje tirei do meu tempo (o meu tempo de sono), aquele que nem meu é - o tempo é-nos dado de forma gratuita enquanto o temos - para dizer: Desculpem-me.

Arrependo-me por todas as vezes que fui tão obtusa. 
Tão teimosa. Tão cabra egoísta.
Pelas vezes que não quis ouvir ninguém e pelas em que achei que só eu poderia ser dona da razão.
Por ser intolerante.
Por não valorizar o quanto devia.
Por não verbalizar. Por me retrair quando não devia.
Por me esconder.
Por ocultar.
Por adiar.
Por não correr atrás.
Por todas as vezes que menosprezei o Amor. 
Por todas as vezes em que não disse gostar.
Desculpem as lágrimas que não chorei. As que contive. As que derramei. 
Desculpem-me por não desculpar também. 
Desculpem-me se me atrasei...

Mas ainda assim, perdão.


segunda-feira, julho 14, 2014

Lisboa...

Lisboa são viagens de 300km a partir de casa, da Invicta, o meu lar. São experiências. São momentos. Dos inesquecíveis.
São pessoas. Das insubstituíveis.
São cores. É luz. 
É um idioma que não se traduz.
São abraços, são beijos, são "Olás" e "Adeus" por pedaços.
É o Chiado, a Alfama, Sintra, Belém, Algés.
É correr a capital de lés a lés.
São os meus chãos, os teus e os de ninguém.
É o cais das colunas, o Tourel e os manos do Cacém.
São os tios de Cascais, são os pescadores... 
É o gin da Bica e o hidromel dos trovadores.
Lisboa é um barafustar pela calçada. 
São pessoas cheias de tudo e almas cheias de nada.
Lisboa é tempo que escassa.
Lisboa é fado.
São pessoas más e boas.
São Portas de Sol, de Benfica... São braços de prata.
São corações de ouro.
É o Bairro Alto, é um tesouro.
Lisboa é menina e moça.
São encontros e desencontros... 
São amores.
São histórias.
São sonhos inacabados.
São vidas. Várias. 
Entrelaçadas na minha; que também é tua, Lisboa.

domingo, julho 06, 2014

Todos por um...

A vida consegue sempre surpreender-nos. As pessoas. Quando menos esperamos...
Graças a uma "futilidade", senti bondade onde menos contava. 
Em pessoas que conheci a vida toda e que sempre estiveram do meu lado. Encontrei-as no mesmo sítio.
Em pessoas que conheço mas que raramente falamos e quiseram mostrar que fazem o que for, quando preciso.
Em pessoas que eu não sabia que estavam.
Em pessoas que tem apreço. Naquelas que sempre tiveram respeito. Nas que nunca deixaram de sentir carinho.
Sobretudo, senti bondade de mão dada com a boa vontade.
Pessoas que não conheço mas de algum jeito vou conhecendo todos os dias, que não partilham chãos comigo, mas partilham palavras. 
Pessoas que partilharam da sua bondade, do seu tempo, gratuitamente, por mim.
Não posso expressar a gratidão que sinto.
Obrigada, a ti que perdeste o teu tempo por mim.
A ti, que te preocupaste.
A quem todos os dias se lembrou.
A quem tomou iniciativa.
A quem apelou à sua criatividade por mim.
A quem me fez sentir amiga. Querida. Prezada.
A quem fez do seu amigo, meu amigo também.

No final, posso não ter cumprido o objectivo, mas a caminhada foi gloriosa. Levo o coração cheio. Ganhei amigos.
Relembrei amigos. Dei ainda mais valor aos antigos.


É uma vitória ter tanta gente de bom coração na vida, na linha do tempo, na caminhada pela vida.


Só vos posso estar grata,

Um enorme bem-haja.

Ja ganhei. Tenho-vos.

quarta-feira, maio 07, 2014

O preço das telhas

Creio que a visitei pela última vez em Janeiro... Fevereiro talvez.
A memória atraiçoa-me porque penso muitas vezes nela, e sinto-a sempre perto. 
Cheguei, abracei-a. E foi como se tivesse sido ontem realmente.
Perguntei como estava. Como estavam todos. 
E a Ró? 
"Vai-se aguentando. Agora enquanto ele não for embora, é uma fase muito difícil."
Foi assim que me puxou o tapete. Que a vida me puxou o tapete novamente.

Sabes o preço das telhas?
Eu não. Nunca comecei uma casa do inicío. Muito menos um lar. Nunca estive perto do telhado tão pouco.

A minha casa? Mandei as telhas pelo ar. Mando, ainda mando, pelo menos de todas as vezes que aqui escrevo.

Não tenho telhas de momento que possam esconder o que me dói por te saber a sofrer.  
O quanto eu queria que a vida fosse mais generosa contigo Ró. Sabes? Sabes o quanto?

As telhas partem-se em todos estes momentos que vejo a tua vida escangalhar-se. 
Cada vez que todos aqueles que eu adoro, fazem a vida em pedaços. 

Espero que a vida te permita construíres um outro castelo, com telhados de vidro.
Que te permitam aproveitar cada raio de sol, e que todos os dias tenhas luz na tua vida.
Que em dias de chuva, as gotas apenas escorram pelos telhados... E que possas apreciar a beleza delas. Há dias de chuva com o seu encanto.

Depois do que as telhas encobrem, elas deviam ser muito mais caras, sabiam?

quarta-feira, abril 09, 2014

Encolhendo ombros.

Esqueci-me...
De me preocupar...
Lembrei-me de me esquecer.
Alimento um certo egoísmo.
Partilho uma certa arrogância e frieza de quem nunca fui amiga. 
Aliei-me à ignorância. Não no sentido do saber, mas do não querer saber.
Desprezo falsos moralismos.
Não dou ouvidos a lamúrias.
Chamo tanta coisa de injúrias.
Já não me importo...
Durmo e por vezes acordo.
Penso mas já não reflito.
Avalio mas não julgo...
Nunca minto e nunca me arrependo.
Atiro verdades, repugno futilidades.
Esqueço-me de ser. De ver. De me lembrar. E em boa verdade, também já não quero saber. 

quinta-feira, março 06, 2014

Cegueira

Envelheci ouvindo dizer para não voltar aos sítios onde fui feliz.
Mas eu sempre volto.
Não com intenção, mas perco-me entre acessos de memória e pedaços de recordações guardadas.
É tão simples. 
Fecho os olhos e estás ali. Em tantas coisas, em tantos lugares, em tantas pessoas.
Estás mesmo onde tu não sabes.
Estás onde estivemos... Onde quisemos estar. Onde nunca estivemos. Onde eu fui sem ti, e desejei que lá estivesses.
E sim, eu volto, mesmo com todas as portas fechadas dentro de mim. 

Tranquei-te. Tenho-te trancado. Atravessado.
Para lá das masmorras das memórias, dos pensamentos que afasto, eu ainda te encontro.
Fecho os olhos e sempre te encontro. 
É tão mais fácil viver de olhos fechados. 
E no fim de contas, encontrei-te às cegas... 
E nem cega, jamais, algum dia deixarei de te ver...