sexta-feira, março 20, 2015

About you

Existe algo novo em ti a meu respeito. Sinto-o neste silêncio que nos une de parte a parte.
Sempre soube lidar com a indiferença e com o meu lugar vazio, no vazio. 
Nunca me deixar ficar onde não me sentisse querida, nem nunca me disseram para ir embora, porque quando o pensamento ocorreu, eu já tinha virado costas, há muito.
Lamento por mais uma vez me ter iludido. Desiludido.
Lamento se sonhei demasiado.
Se depositei em ti demasiadas esperanças.
Contudo... Sou mestre na arte de enxergar. A mim primeiramente, antes de tudo o resto.
Vou seguir o meu trilho.
De coração fechado. Mas sem que ele se amargure.
Não há luz onde o dia não nasce. Mas tambem não há noite onde a lua não dorme.
Na minha escuridão pelo menos sempre conto com a minha luz. Ainda que fraca, ainda que intermitente, nunca deixará de ser a minha.

quarta-feira, março 18, 2015

Tempo.

Confesso que nem sempre valorizei o tempo. Contudo, hoje tirei um tempo para lhe dar atenção, já que o tempo me é dado gratuitamente.
Durante o meu tempo de vida, nunca estive tão consciente da duração de um mês, de uma semana, de um dia ou hora, até mesmo de um minuto.
Sempre tive o tempo dado como certo. Nunca pensei que ele pudesse estar contra mim, e em boa verdade, temos os dias contados.
Hoje o meu mundo gira uma hora à frente e o meu coração teima em viver uma hora atrás.
Vivo neste tempo de inverno apesar de toda a primavera que tenho no coração, e ainda assim, o tempo de luz é curto.
As horas do tempo voam quando "estás" e apesar de correr contra o tempo, acredito que ele sabia o tempo certo para te encontrar. Para te reencontrar.
Hoje, dou tempo ao tempo, para ele me dar tempo contigo.
É o tempo de espera. É tempo de fazer tempo. Para ter tempo útil.
Tempo de vida.
Tempo intemporal.
Apenas tempo.
Dá-me tempo.

segunda-feira, março 09, 2015

Lições aos pedaços

A dada altura terminei os estudos, julgava eu, mas continuei as aulas no ensino diário. Matricularam-me na escola da vida desde o primeiro suspiro.
Desde cedo, aprendi a conjugar os verbos falar e escutar. Repeti vezes sem conta, mas ainda hoje dou erros. Por vezes falo demasiado e escuto pouco.
Ensinaram-me as noções básicas de somar, multiplicar e dividir. Nunca quiseram que eu subtraisse. A vida é sempre mais.
Em geografia ensinaram-me que "casa é onde o meu coração está", mas nem sei bem onde ele está agora.
Em história, aprendi que tinha de ser eu mesma a escrever a minha.
Em ciências, disseram para ter em conta que o coração é vital. E de facto, tanto que ele alberga. Devia haver uma disciplina só para ele.
Deviam explicar-nos desde cedo que tudo passa por ele.
O bem e o mal que fazemos.
O bem e o mal que nos fazem.
Passa por ele cada sorriso, cada gesto.
Cada preocupação.
É por ele que passa o cansaço e é sobretudo ele que se sente desgastado quando dizemos que não aguentamos mais.
É ele que depois de um dia de trabalho, tem algo de bom para dar e se sente realizado.
É ele que guarda as boas memórias mas também algumas mágoas.
É sempre ele o primeiro a arrepender-se. É também o que guarda algum orgulho.
Mas tambem é ele que arranja sempre um cantinho para mais alguém.
É aquele que nos ensina que nada mais vale do que o Amor. É aquele que bate a cada segundo por nós. Mais do que 60 vezes por minuto. É quem reconhece o valor nos outros. Que nos faz nutrir os mais belos sentimentos. É onde se cultiva o que de melhor há em nós.
É onde guarda o valor que reconhecemos nos outros. É onde encontramos mais um pouco de nós.
É aquele que apesar das dores de crescimento e de aprendizagem me ensina que quanto mais sofre, mais amor tem para dar... É quem me lembra que todos os dias devo dar de mim e dele.
Tentarei ficar atenta; nunca faltar às aulas e sobretudo, cuidar bem dele.

quarta-feira, dezembro 31, 2014

2014

2014,

Meu safado, hoje é o último dia que passamos juntos mas estou certa que será mais um dos que recordarei.
Foste um poço de surpresas, uma montanha russa... E tantas vezes andamos de cabeça para baixo, ou mesmo de cabeça no ar, e diria ainda, de cabeça perdida. Fez tudo parte.
Se eu tivesse de te resumir a uma palavra? Seria desafio.
Puseste-me tantas vezes à prova. E sabes?... Sou grata.
Obrigada por me teres lançado aos leões, por me teres mostrado que sou capaz. Foi com suor e lágrimas que me mostraste que se saboreiam as maiores vitórias.
Viajamos, fomos a concertos, festas e jantaradas, trabalhamos imenso, fizemos algumas promessas que (ainda) não cumprimos. Também choramos. Fui impaciente contigo e com alguns dos dias que me deste. Com algumas pessoas que nos acompanharam. Sim, eu tu e elas sabemos do meu mau feitio, mas estou certa que não me levam a mal, pois não maroto?
Resta-me agradecer por esta caminhada, que por vezes foi uma corrida de doidos e outra vezes foi um passeio num fim de tarde qualquer; por esta estrada que escolhemos que teve tantas pedras, mas algumas foram preciosas e levo-as comigo, para o teu amigo que chega hoje à meia noite e para a vida.
Espero que o 2015 que me escolheste seja generoso, paciente e que me traga surpresas das boas!!! Arrumei as prateleiras todas cá dentro, deitei fora o que não interessava, arranjei tudo da melhor forma que sei para o receber.
Estarei às 00h00 à espera dele, com os braços e um sorriso aberto, com um coração cheio de esperança e rodeada daqueles que sempre estiveram cá, dos que foram chegando, daquele que tu me trouxeste para lhe dar as boas-vindas.
Prometo trata-lo bem, mas olha, 2014, pede-lhe para ser meigo comigo e com os que amo, sim?

Obrigada,

Até sempre 2014.

Até já 2015.

quinta-feira, setembro 04, 2014

Decisões.

Eventualmente chega o dia em que reconhecemos que é preciso mudar algo.

Mudar sempre foi bom.

E eu quero mudar. Ir embora...

Hoje é o meu dia...
Despeço-me não com um "Adeus" mas com um enorme "Obrigado".

São certamente as boas memórias que deste episódio irão prevalecer em detrimento das menos boas.

Nunca tive jeito para "despedidas", no entanto não posso deixar de referir as pessoas de quem me fui despedindo ao longo do tempo mas das quais não me despedi realmente.

São essas pessoas que me fazem bater a porta atrás de mim, hoje, sem arrependimento.

Se já se foram, o que faço eu aqui?

Fui-vos perdendo... sem saber.

Perdi-me. Perdi tempo. Perdi-me no tempo.
Procurei-vos para me encontrar e soube que de alguma forma vos tinha perdido.
Nos tinha perdido. Me tinha perdido.

Não faz mais sentido seguir um caminho que me traz mais estados de alma tristes do que felizes.

De nada vale quando já não há nada pelo que ficar...

Quando já não se acredita em amanhãs diferentes.

De que adianta correr atrás de comboios que já partiram?

E eu vou-me, na esperança de me reencontrar.

Creio que me perdi algures por aí, pelo que, seguramente, me encontrarei quando menos esperar.

domingo, agosto 17, 2014

Amanhã...

Começa já dentro de 2 horas e 19 minutos...
Amanhã começa um novo capítulo da minha história.
Um novo capítulo mas ainda assim um recomeço. Uma fé num futuro diferente de um passado presente.
"Só não consegue quem desiste" repito para mim baixinho, vezes sem conta... E cheia de medo, ponho os olhos na frente. Mordo o lábio, espero que todos os meus anjos da guarda se lembrem de mim...
Que me empurrem em frente, que me segurem, que cuidem de mim.

terça-feira, julho 15, 2014

Se arrependimento matasse...

Provavelmente já não escreveria este amontoado de palavras.
Diria muita boa gente: "Palavras, leva-as o vento"; "tristezas não pagam dívidas" e para terminar o rol de frases feitas: "Desculpas não se pedem..."; bom, esta nem preciso de gastar o meu tempo a terminar. Quem nunca pediu desculpa?
Hoje tirei do meu tempo (o meu tempo de sono), aquele que nem meu é - o tempo é-nos dado de forma gratuita enquanto o temos - para dizer: Desculpem-me.

Arrependo-me por todas as vezes que fui tão obtusa. 
Tão teimosa. Tão cabra egoísta.
Pelas vezes que não quis ouvir ninguém e pelas em que achei que só eu poderia ser dona da razão.
Por ser intolerante.
Por não valorizar o quanto devia.
Por não verbalizar. Por me retrair quando não devia.
Por me esconder.
Por ocultar.
Por adiar.
Por não correr atrás.
Por todas as vezes que menosprezei o Amor. 
Por todas as vezes em que não disse gostar.
Desculpem as lágrimas que não chorei. As que contive. As que derramei. 
Desculpem-me por não desculpar também. 
Desculpem-me se me atrasei...

Mas ainda assim, perdão.