Pedaços

segunda-feira, setembro 19, 2016

Dias assim...

Há momentos impagáveis na vida e tenho comigo a certeza que, dar o que podemos sem reservas, é um deles.
E embora exista nisto algo de "sonhador", levo comigo hoje a mais pura certeza que o universo me dará o dobro em troca.

domingo, junho 12, 2016

State of mind.

Tenho para mim que cada vez mais são as pessoas que nada nos acrescentam, apenas retiram.

quarta-feira, julho 15, 2015

Dentro da carapaça...

Dos animais, tenho para mim que sou daqueles com carapaça.
Como uma tartaruga. Frágil dentro da sua armadura.
Parto de carapaça às costas e com a cautela necessária, caminho devagar, pondo pé firme se sinto que posso. Passo a passo, na minha estrada, aprecio a vida e o que a rodeia a um ritmo que não acompanha a velocidade das minhas vontades, a grandeza dos meus sonhos.
Embarco em viagens, umas vezes no rumo certo, outras em contra-mão.
Encolho-me quando me pegam pela carapaça, com medo de cair. Nunca sabemos onde a vida nos pode pousar.
Será que as tartarugas sabem?
Quando na "sua praia" conseguem nadar velozmente. E eu, que nem sei nadar, sei que tenho uma tartaruga ninja em mim.

Tenho em mim também parte de um caracol, que onde quer que vá leva a casa às costas. Dizem que no fim de contas, casa é onde o coração está. Gosto de pensar que o tenho comigo, umas vezes no peito, outras... Sei lá.
Será que os caracóis também carregam o coração às costas?
Além dos que faço no cabelo, naturalmente ou porque os enrolo, gosto de caracóis.
A vida é tão melhor quando nos enrolamos. Quando abraçamos os sonhos com alma, as pessoas, quando nos entrelaçamos nas coisas, com o coração. Quando nos "babamos" de mimo. Quando deixamos os outros "babados".
E se eu fosse um caracol, andaria sempre com "corninhos ao sol". À chuva também. A vida é tão melhor fora da carapaça, sabiam caracóis?

Tenho também em mim um ouriço-cacheiro, que de sua natureza, não picam por ataque, apenas por defesa.
Pico por brincadeira, e por vezes acabo picada na teia.
Pico quando me irrito, quando desconfio, quando me sinto em perigo.

E o que levo de hoje, é que entre passos lentos ou baba e ranho que choro e picos no caminho que piso, tenho debaixo da carapaça, todo o meu tesouro.

sexta-feira, abril 10, 2015

Mortes lentas

Chegará o dia em que simplesmente já não sinto nada, já não existe nada.
Em que no teu lugar e das tuas palavras já não espero haver nada.
Chegará o dia em que já não preciso que o barulho dos dias e das pessoas me absorva a dor; em que o silêncio das noites já não me dilacerará por dentro.
Chegará a noite em que poderei voltar a dormir 8 horas descansadamente.
Em que não vou mais acordar com o coração descompassado. Em que não vou mais esperar por ti. Procurar por ti. Querer saber de ti.
Um dia destes acordo e já não me lembro de ti. Não saberei sequer quem és; e indago agora se algum dia soube.
É quando já não esperamos nada das pessoas que elas morrem no nosso coração... E eu lamento que tenhas provocado esta morte lenta em mim, que te leva um pouco todos os dias e que arranca, ainda assim, um pedacinho de mim.

sábado, abril 04, 2015

Outono - Inverno

Estes dias têm sido de nuvens...
Ora o Sol espreita, ora vai embora, e eu, tola, ainda tenho um resto de esperança que ele venha pra ficar.
A primavera chegou há dias, mas eu continuo a viver em outono/inverno, continuo a vestir outono/inverno... Continuo a sentir outono/inverno.
São ainda mais os dias de chuva no telhado e nos olhos, do que os de Sol. E tu pequena, tens sido o meu arco-íris.
Tens sido um rasgo de luz... A minha consciência.
Não sei se eles sabem a sorte que têm... É impossível saberem...
Creio que não sabem que a milhares de kms, do outro lado do mundo e da água e a meio sol, tem alguém que cuida, que se preocupa, que os adora incondicionalmente.
Creio que não sabem.
Não sonham que engolimos a seco cada silêncio que nos queima garganta abaixo.
Não sabem que a felicidade e bem estar deles é tão importante para nós como o ar que eles respiram. Tomara que soubessem.
Não sabem como choramos cada murro no estômago. Porque sim, nós também choramos.
Porém, aposto que nunca se esquecem que temos sempre os braços abertos, que nunca dizemos "não", que nunca lhes vamos falhar mesmo quando não pudermos. Que somos os possíveis dentro dos impossíveis.
Aposto que sabem que entre nós e eles não há barreiras, pelo menos de nossa parte...
Aposto que nos têm dadas como certas. E isso é tão certo como odiarmos o facto de não os conseguirmos odiar.
Tão certo como o Sol amanhã voltar a nascer...
Certo, como vivermos todos debaixo do mesmo céu...
E sabes que mais pequena?... O nosso coração é demasiado grande... Vai sempre ter espaço para mais um outono... e um inverno.

domingo, março 29, 2015

Cegueira cardíaca

Faz tempo que não adormecia com a almofada molhada.
Faz tempo que não sabia que tinha coração senão para me manter viva. Faz tempo que não o sentia apertado. Não me lembrava que ele também se encolhia. Que eventualmente fazia mais do que bombear sangue, segregava carinho.
Não me lembrava do quão ingénuo ele era. Julguei que o tempo e os safanões da vida lhe tivessem ensinado algo.
Não pensei que pudesse ficar tão desiludida com o facto de ele ainda se iludir. De se permitir sonhar desmedidamente.
Esquece-se de mim e da razão dele. Toma rédeas às suas vontades.
Fica cego pelo que acredita ser uma verdade absoluta e nada mais lhe interessa.
Eu não interesso. Não tenho escolha.
Nem tão pouco tenho tempo de me aperceber. Quando acordo já o comboio partiu, já estou no meio da viagem e ele só me diz a meio sorriso: "bem-vinda a bordo".
Ouve-me por uma vez coração cego: tens de parar de fazer isto a ti próprio. E a mim também.
Tens de parar de me magoar. De te magoares, continuamente.
Sê prudente.
"Nem tudo o que reluz é ouro... Nem tudo o que parece é..."
E não, tu nunca vais aprender tudo sobre o amor. Porque tu és cego.
Tu não vês. Não vês nada.
Tu não vês maldade. Sabes o que é isso?
Tu só vês que, o que tu sentes, todos podem sentir...
O que tu és, todos podem ser...
Pensas que o que tu dás, todos podem... Bom, não me faças rir.
É exactamente aí que tu te encolhes, me chamas e dizes que se calhar fizeste asneiras. Deste de mim sem pensares. Abriste portas e deste tudo sem reservas.
Confesso que me vais esgotando. Que te vão esgotando.
Confesso que a minha vontade é fechar-te  de vez, não te dar sequer hipótese de vacilares uma vez mais que seja.
E apesar de eu ser a tua Razão, só queria que soubesses que lá no fundo do nosso Eu, sei que só assim nos sentimos vivos. Só quando sofremos, sentimos o quanto gostamos. Só quando sangramos, vemos o quão dentro estávamos.
Mas agora é hora de tratar as feridas, de limpar lágrimas e esperar que a almofada seque... Eventualmente a hora muda outra vez, o ano vira e quem sabe... Nós permanecemos iguais.

sábado, março 28, 2015

Bagagem cheia de Amor

Ainda parece que foi ontem que decidiste mudar de vida. Mudar a tua vida. A nossa vida.
Levei-te com apenas algumas roupas e um resto de esperança na bagagem.
Em boa verdade, nunca pensei que ficasses mais do que uma semana. Surpreendeste-me, já lá vão 8 meses.
A pessoa que encontrei hoje não foi a que lá deixei. Não foi a pessoa que sequer algum dia conheci.
Sempre sublinhei que ninguém muda e parece que ao fim de 27 anos me ensinas que não há regras sem excepção.
Não posso pôr em palavras o orgulho que sinto por isso.
Ensinaste-me tanto e sei que ainda tenho tanto a aprender contigo. Ainda temos muito a aprender um com o outro.
Ensinaste-me sobretudo muito sobre o Amor.
Há varios tipos de amor, e o meu por ti, hoje, é incondicional.
É impossível pôr 27 anos para trás das costas, pai. Começar de novo. Mas podemos recomeçar e ser melhores, não tenho dúvidas que podemos.
Podemos amar mais e melhor. Podemos.
Devemos.
Sermos mais e melhor. E seremos.
O tempo que nos resta pela frente só pode ser bom. Não há outro caminho.
Mas queria que soubesses que não tens de me compensar por nada. O melhor que me dás é deixares-me assistir ao nosso envelhecimento feliz.
Ensinaste-me que quando a vida nos presenteia não podemos virar costas...
Ensinaste-me que a vida é rara, que nada vale senão vivê-la da melhor forma possível, com o corações cheios de amor. Ensinaste-me a perdoar. A abrir mão das mágoas. A agarrar as boas memórias.
Ensinaste-me que ainda temos outra história para escrever, a nossa. E temos ainda tantas páginas e dias em branco para preencher, não temos?
Ensinaste-me que quando queremos muito algo, devemos lutar... Ensinaste-me a acreditar em futuros diferentes, em finais felizes, independentemente do número de pedras no caminho.
Ensinaste-me a olhar para a vida e aceita-la e reconhece-la como ela foi e o que ela é, mas sobretudo a lutar para que seja o que eu quero que seja.
Ajudaste-me a perceber que não tem de haver reservas quando há amor.
Que o amor não tem limites quando é amor.
Ensinaste-me que somos Amor.
É és, sem dúvida, um dos maiores da minha vida.