Pedaços

quinta-feira, outubro 24, 2013

Tocar.


"Há pessoas que nos tocam assim", foi o título que lhe quis dar porque de facto me tocou. 
Há pessoas que nos tocam como se um instrumento fossemos. Digo um instrumento, não um objecto, porém, ha também quem nos toque como tal. 
Ha pessoas que nos tocam como quem toca violoncelo, fazem música no nosso corpo, tocando nas cordas da nossa alma.


Outras que nos tocam como quem toca piano; nunca nos é indiferente.
Quem nos toque e nem sentimos... E aqueles que fariam de tudo para nos poderem tocar...
Aqueles em quem sonhamos poder tocar... E os que são insensíveis ao toque...
Há quem fique tocado do vinho e quem nunca lhe toque.
Há quem se toque, ou nunca se toque de todo.
Há toques de leve, há toques de se fazer sentir... E há quem fique touché. 
Há quem fale como se tocasse... Quem toque como se falasse... Há quem se faça sentir sem nunca tocar.
Toquei-te?

segunda-feira, outubro 21, 2013

20 segundos

E se hoje eu tivesse 20 segundos de coragem insana... 
Diria uns quantos "adoro-te". Uns "não sonhas o quanto te quero bem". 
Uns tantos "desculpa". 
Faria um pedido de perdão.
Falaria das saudades que sinto.
Mandava alguns "para o caralho".
Sorria desmedidamente.
Compraria o primeiro bilhete sem destino mas que sei exactamente onde me levaria. E eventualmente voltaria à minha sanidade insana... Porque provavelmente já teriam passado 20 segundos.

domingo, outubro 20, 2013

Where have you been, Liliana?

Tinha saudades de conduzir. De domingos. De pessoas. Do mar. De pequenos-almoços despreocupados. Do sol na cara. De frio no nariz. De fotografar. De ler junto ao mar. De sorrir. Sobretudo de ficar descabeladamente feliz. 

"Where have you been, Liliana?"

sábado, outubro 19, 2013

Conversas de sofá

Hoje eu tiraria um tempo para ser completamente honesta.
Sentar-me-ia num fim de tarde qualquer e afundaria no meu sofá.
Fumaria daquele tabaco que nunca fumo, beberia o melhor vinho, a meia luz, com o copo numa mão, com o cigarro a queimar na outra. Até que a cinza caísse. Até que me queimasse.
Que ardesse por fora como queima por dentro...
Gastaria todo o tempo que lhe devo só com ela, assim, apenas afundada. A ouvir o silêncio, a saborear o vinho, a fumar o nada.
Falar-lhe-ia muito provavelmente do peso dos últimos meses, das tempestades do ultimo ano... Mas, não podia deixar de lhe contar sobre o sol dos últimos dias.
Diria que todo o desgaste ficava ali enterrado agora naquele sofá...
Todo o sofrimento ficava afogado naquele vinho...
Todas as mágoas se esfumavam com aquele tabaco.
Quando me levantasse seria da minha altura, dos meus feitos... Das minhas vitórias...
Contar-lhe-ia que olho para a minha vida e digo que fui eu que a construí... Falhei e repeti.
Levantar-me-ia com um sorriso nas mãos e com humildade no rosto, dando mais um passo em frente no caminho que é o meu... O que eu escolhi.

quarta-feira, outubro 16, 2013

(Un)Lock

Tenho para mim que há musicas que são desbloqueadores de conversa... E que há músicas que não são músicas. São momentos. São pessoas.
Ha músicas que são máquinas de tempo.
Que nos levam ao passado... Que o desbloqueiam dos confins das memórias e cada acorde traz um tom mais agudo de saudades.
Ha músicas que desbloqueiam lágrimas.
Que destravam memórias. 
E depois existem músicas que apenas tocam na caixa de música do nosso coração... Mas quando a corda acaba, a tampa fecha-se. A música pára...
As saudades desaparecem... E as memórias voltam a apagar-se...


"...In this world 
Where nothing else is true 
Here I am
Still tangled up in you..."



[stop. Até que a volte a ouvir, num fim de dia qualquer...] 

quarta-feira, outubro 09, 2013

Cedências

Todos somos donos de "guilty pleasures", chamamo-lhes assim, mas na verdade não há porque nos sentirmos culpados... Se gostamos, gostamos, e ponto.
Partilhei do teu. Uma e outra vez. Ouvi-a vezes sem conta...
E sabes o que ficou!?
Que não temos de ceder lugares...
A vida não é um comboio... O nosso coração muito menos. 
Pelo menos não cedo o meu a nenhuma grávida, nenhum idoso, nem a nenhum deficiente... Bom, creio que em alturas da minha vida já o possa ter feito...
Mas há dias, em conversa com o LM, reti que as pessoas andam todas feitas umas com as outras para nos magoar... Todas. Por isso, não cedo lugares a quem quer que mereça... Porque ninguém é merecedor de, se vem com o propósito de magoar.
E tu devias fazer o mesmo... 
Não cedas o teu lugar... Quando achares que alguém merece, senta-te e fica... Deixa que fique. Não deixes que vá.
E tu que dizes que as minhas palavras parecem olhar sempre para quem as lê, hoje é para ti que escrevo... É para ti e por ti que olho...
Porque no código da estrada da vida, faço sempre cedência de passagem às pessoas que cuido, para que não haja choque... E que não as magoe, não me magoando também. 

segunda-feira, outubro 07, 2013

Lavagem d'Alma

Ela traz o corpo cheio de marcas do dia. Sinais de cansaço, manchas de suor... Marcas da roupa já amarrotada que se cola ao corpo, parece quase parte de si mesma...
Traz em si o cansaço dos sonhos e da realidade do dia. 
Despe todas as roupas como quem se despe e despede de outra pessoa, de quem se mascarou todas as horas.
Despe o sorriso postiço, deixa no cabide o fardo que carrega, e tira as lentes da cor da sociedade... 
A água de rosas leva um resto de maquilhagem deixando o aroma real aos espinhos que ela sente.
Os seus olhos cruzam-se com os do outro lado do espelho antes de entrar na banheira.
É nesse instante em que a água tépida lhe humedece os cabelos, a pele e qualquer resto de alma, que ela se sente enfim Ela.. 
É debaixo daquele chuveiro que ela encontra o calor e o aconchego da água que abraça. Que conforta.
Despida de tudo, vestida de nada.
É aquela água que lhe limpa o corpo, que lhe leva as células mortas e atenua as mágoas.
As lágrimas do chuveiro confundem-se com as águas dos olhos, percorrem o corpo, misturam-se, e ambas terminam no chão.

domingo, outubro 06, 2013

Leave...

"And I promised to myself that tonight would be the last night that I would lay down and cry... At least for someone who does not deserve my fucking tears.
Because it hurts like hell inside, and it's harder for me to breath... It is impossible for me to sleep... 
Please, just leave. Don't look Back... I won't be here any longer...
No, don't leave. I leave. 
I will leave in the first place.
There is no place for me here. I wonder why am I still here writting down this fucking words that you will never see...
I guess I must write them... Before I leave. 
Before I leave you...
Before I reborn."

Mas não.
Não foi de longe a última noite em que ela não adormeceu de cara e almofada enxuta.
Não foi essa a noite em que ela partiu... Creio que ela ainda lá está...
Não terá sido a última noite em que ela adormeceu sentindo que tinha coração, porque lhe doía. 
A noite em que ela foi embora, foi a noite em que o sol ainda não nasceu para dar vida a esse dia, que terá essa noite... Em que ela irá embora. 
Em que baterá toda as portas dentro de si, e ficará de fora.