Pedaços

quarta-feira, setembro 29, 2010

Coração em mudanças.

E era capaz de empacotar todas as recordações, reciclar cicatrizes e partir com o meu coração às costas... No entanto, ele pesa toneladas... Não quer adaptar-se a outro lugar... Diz ter medo, da solidão dos dias... E principalmente das noites... Em que teria que encontrar mesas, camas e sofás vazios... Saborear pratos sem opiniões e filmes sem rescaldos...
Não saberia mais bater sem ter por perto o sopro de vida dele, que é também o meu. Sem ter os corações que batem em harmonia com ele...
E vivo na guerra entre ele e a minha consciência, que me faz perder noites de sono... Que quer a todo custo encontrar uma outra almofada que a deixe dormir de noite, não porque esta seja dura... Mas por ela ser dura demais com ela mesma.
Por achar que o coração dela é pequeno demais, por o diminuir a cada dia... Por se agredirem mutuamente, numa luta para que um deles sempre prevaleça.

Não digo que ganhe o melhor... Mas que ganhe aquele que conseguir ceder. Aquele que aceitar caminhar de mãos dadas com o outro, rumo a um lugar, ou até este mesmo, onde ambos possam respirar o mesmo ar. Felizes.

quinta-feira, setembro 23, 2010

Era uma vez... Nós.

Lembro-me daquela tarde como se fosse hoje, sabias? O céu estava tão pintado de cinzento como hoje.
Lembro-me de fazer aquela viagem de comboio e saber bem lá no fundo que era a última que fazia para te ver... Sabes, uma mulher sente, sabe, quando as coisas acabam... A cabeça renega-lhes o que o coração sussurra... Mas uma mulher sempre sabe... E sim, eu sabia...
Lembro-me do teu sorriso... Guardei comigo um sorriso fotográfico, eu acredito que o sorriso é o melhor que podemos guardar de alguém...
Lembro-me das pernas me tremerem literalmente enquanto descia do comboio...
E das lágrimas que me escorriam e queimavam o rosto enquanto te via afastares-te sempre a olhar para trás...

Minutos depois o comboio partiu...
Sem retorno...



Runaway train...

2004

segunda-feira, setembro 06, 2010

Parafusos fora do sítio...

Tenho aquela dor que magoa, que gira a faca no peito, para a esquerda e direita... A tentar desaparafusar parafusos moídos, que já nada apertam mas remoem...

Aquela dor seca, que é molhada por lágrimas enxutas, que já só da memória caem. Não porque goste de ti. Mas porque tenho saudades. Do que tinha... E não mais tenho.