Pedaços

domingo, abril 26, 2009

As minhas últimas lágrimas...

Há uma semana atrás... Por esta hora, esperava-te já para jantar quando recebi um sms teu a dizer que não vinhas... Não vinhas jantar... Não vinhas dormir... Não mais voltavas, senão para levar as tuas coisas...
Agarrei-me à minha màgoa, à minha dor, e delas absorvi as forças necessárias para por tanta roupa e calçado e outros pertences teus, quanto conseguia, em sacos...
Cada peça de roupa me levou a datas do passado... Ocasiões especiais... Casamentos... Festas... Natais...
Os teus perfumes, cheirei-os uma última vez...
Os teus sapatos, que sempre tiravas antes de entrar dentro de casa...
Os quadros e livros que te ofereci...
Os dvd's... Os teus cd's favoritos...
Meti-te dentro de sacos. Tu que eras Enorme para mim... Estavas agora dentro de sacos. Nunca pensei que coubesses. Eu tinha orgulho em ti... Tinha orgulho em usar o teu apelido no meu nome... Tinha orgulho em passear contigo de braço dado... De te apresentar a todos os meus amigos...
Como pudeste?
Fotografias.
Roubei-te uma fotografia nossa, já desgastada pelo tempo, que passeaste durante anos na carteira... Agora ela passeia-me a mente... Como eu tinha Felicidade, Orgulho, Amor, estampado na testa...
Foste o mar que derrubou todos os castelos de areia que eu construí durante estes anos...
Tu devias ser o segundo pilar da minha existência... E foste um sacana egoísta... Como pudeste?
Como consegues dormir de noite? Será que dormes?
Não, não te odeio... Mas desprezo-te... E sinto a tua falta no entanto...
Sinto falta que perguntes à minha mãe se já estava em casa, quando chegavas...
Sinto falta do teu lugar preenchido à mesa...
De vermos Tv juntos no sofá... Dos filmes depois do jantar...
Saudades do meu beijo de boa noite...
Saudades de "Para onde vais trabalhar amanhã?"
Saudades tuas...
Contudo, tinha saudades de ter paz...
As lágrimas um dia vão secar, não vou mais sorrir forçosamente...
Não vou dizer à minha mãe que estou bem quando não estou, e que sou uma super mulher... Porque não será necessário... Terei um sorriso verdadeiro, não mais mecânico.
Herdei dela uma força inabalável... Mas não a capacidade de amar um ser tão errante como tu.
Não sou melhor que tu, tenho o teu sangue no meu sangue, mas apesar das nossas semelhanças, sou orgulhosamente mais Humana que tu.
Demos-te mais oportunidades do que era aceitável... E tu deitaste a derradeira... A tua última chance por terra!
Só queria que tivesses agarrado o resto de dignidade que te restava e fosses embora como um Homem, não como um cobarde.
Não mereces o amor que eu te tinha, o orgulho. Não mereces a minha mãe.
Não mereces as lágrimas dela, tudo o que ela já sofreu no corpo e na alma por tua culpa.
Não mereces ela ter vivido uma vida em tua função... Não mereces nada.
O meu silêncio é tudo o que tens hoje. Silêncio envolvido em desprezo, que se vão abraçando e ficando cada vez mais fortes...
A felicidade não é a meta, é o caminho... E eu e ela temos um longo caminho a percorrer...
Quanto a ti, só espero que a vida que escolheste te preencha o suficiente, porque não contes mais com o meu amor, com o meu carinho para te preencher... Esgotaste-os.
E as minhas lágrimas também se hão-de esgotar, porque...
Esta é a última vez que choro por ti, pai...

Um desafio...

1- Nome?
2- Porque lhe deram esse nome? Porque meus pais e madrinha gostavam muito...
3- Você faz pedidos às estrelas? Às estrelas... Não...
4- Quando foi a última vez que chorou? Ontem...
5- Gosta da sua letra? Gosto... Mas já gostei mais...
6- Gosta de pão com quê? Com fiambre e queijo (derretido)...
7- Quantos filhos tem? Nenhum hoje, "amanhã" não sei...
8- Se fosse outra pessoa seria seu amigo? Seria sim...
9- Saltaria de bungee-jump? Saltaria, adoro a adrenalina...
10- Dessamarra os sapatos antes de tirá-los? Não uso sapatos com atacadores...
11- Acredita que é uma pessoa forte? Sou... Tenho de acreditar que sim...
12- Gelado favorito? Corneto soft de avelã...
13- Vermelho ou Preto? Preto é a minha cor...
14- O que menos gostas em ti? De ter tanta "manteiga" no coração...
15- O que mais gostas em ti? A humildade...
16- De quem sente saudades? Da minha melhor amiga...
17- Descreve que tipo de roupa está a usar agora? Damned, pijama...
18- Qual foi a última coisa que comeu hoje? Ainda não comi hoje...
19- O que está ouvindo agora? All I need - One Republic
20- A última pessoa com quem falou ao telefone? Com a minha mãe...
21- Bebida favorita? Ice tea de limão...
22- Comida? Bacalhau! á moda do que quer que seja...
23- Último filme que viu no cinema e com quem?O estranho caso de Benjamin Button... Com dois bons amigos, a Ju e o Flávio...
24- Dia favorito do ano? A véspera de Natal...
25- Inverno ou Verão? Verão, apesar de gostar muito do inverno... Mas a chuva... Errr...
26- Beijos ou abraços? Abraços... Esses nunca se esquecem...
27- Sobremesa favorita? Pudim da mãe...
28- Que livro está a ler? A filha da minha melhor amiga... De Dorothy Koomson...
29- O que tem na parede do seu quarto? Não tenho nada nas paredes do quarto... (Ainda)
30- Filmes Favoritos? A procura da Felicidade...
31- Uma música? "Forever young" - Youth Group
32- Uma frase? "It's better to burn out than to fade away..."

E agora deixo-te o desafio a ti... :)

sábado, abril 25, 2009

Just Smile...


Há momentos em que sem dúvida, eu esqueço que estou a trabalhar e embarco em cruzeiros de alegria...

Trabalho em cruzeiros, e eis que hoje na hora de almoço, passa por mim um colega dos seus 30 e poucos anos, com uma travessa de arroz de pato na mão, quando um turista inglês dos seus 19, 20 anos o para e pergunta:

-Sorry, but: What's this?

Ao que o meu colega responde...

-This is Rice Quá Quá!!!

Não sei se os patos na Inglaterra também fazem Quá Quá, mas pela cara do rapazinho..............



Momentos em que rio. Sorrio.

quinta-feira, abril 23, 2009

Adeus


Ontem assisti de pé ao teu funeral...
Vi-te morrer no meu peito...
E descobri que eu era o ventilador que te mantinha vivo...
Fiquei de pé ouvindo palavra a palavra do que diziam ter sido a tua breve passagem por mim...
Do que serias se tivesses continuado a respirar...
E daquilo que fostes e eu nunca admiti...
Desceram-te e eu deixei-te ir...
Enterrei-te...
Enterrar-te era enterrar a minha dor...
Desculpa o meu egoísmo...
Enterrei-te com ela...
Conta sempre com as minhas flores...
Visitar-te-ei em acessos de memoria...
Melhor te-las enterrado tambem...
Mas agora...
Enterrei-te...

Adeus...
(4 Junho 2007)

quarta-feira, abril 22, 2009

Perenemente...


Quando penso nos últimos dois anos, encontro-te em várias memórias... E recordo-me de todos os momentos que passamos juntas... Recordo a tua roupa preta e a minha branca no dia em que chegaste à minha vida...
Recordo da primeira vez que subimos aqueles 40 degraus até ao nosso lar juntas...
Da primeira aula juntas.
Quando passo por aquelas ruas, lembro de passarmos por lá juntas...
Lembro de cairmos a rir juntas, quer de alegria ou dor...
Lembro-me de um abraço enorme entre lágrimas na nossa varanda numa noite de Verão...
Das noites passadas ao sabor da liberdade. Dos nossos brindes. A nós, a eles, aos que estavam, aos que viriam, e aos que já tinham ido... Mesmo aos que nunca chegaram a aparecer...
Lembro do primeiro ao ùltimo cortejo.
Lembro a primeira vez que trajamos.
Agradeço a tua presença até ao último momento.
Nunca esquecerei aqueles longos e elaborados lanches, que ainda cheiram a cappuccino e nuttela... Da partilha do pão e da água.
Todos os jantares e a pergunta: "O que vais jantar hoje?"
Há certas músicas que quando ouço é de ti que lembro... Ou porque as cantávamos juntas... Ou simplesmente porque gostavas... E "É isso aí" e de muito mais que me lembro quando olho para trás.
Não faças parte da minha memória só agora, faz parte dela para sempre Laetitia, porque o teu lugar aqui será pelo mesmo espaço de tempo... E não, Sempre não é demais.
Temos muito tempo para continuar a crescer, a aprender, a lutar, a rir e chorar...

Perenemente,

Tua Tyta...
[July 2007]

segunda-feira, abril 20, 2009

Uma vida, Uma história.

Ela cresceu com aquele homem na mente... Via-o todos os dias quando ele ia trabalhar... Tinham amigos comuns. Iam ao cinema, passeavam, partilhavam histórias, experiências, sonhos. Apaixonaram-se. Namoraram 3 anos. Casaram.
Tentaram construir com sacrifício um lar cujos alicerces deveriam ser carinho. Ternura. Arrisco Amor.
Ela engravidou.
Ele foi-se afastando.

[Uma criança nasceu.]

E trocou o lar por uma vida boémia.
Aos 3 meses de nascimento dessa criatura ele sai de casa.
Ela continuou a sua vida. Cresceu. Sua criança cresceu também.
Juntas viveram. Foram felizes.
Ela foi mãe, foi pai, foi heroína da história da vida dela. Deu o exemplo.
Um dia ele voltou.

[9 anos se haviam passado.]

O coração dela ainda era o albergue daquele pobre homem. Pediu perdão. Mostrou que queria mudar. Parecia ter mudado realmente. Ela perdoou.
Tentaram continuar com a obra que havia sido iniciada 10 anos antes, na madrugada de 1 de Janeiro daquele ano.
Mudaram de cidade. Mudaram de vidas. Saborearam a felicidade.

Porém, ninguém muda realmente.

[1 ano e 6 meses passaram]

Ele voltou ao mesmo. Rastejou. Jogou-se na lama. Arrastou-a juntamente à criança a que deram vida.
Ela mais uma vez foi heroína. Conseguiu levá-lo a bom porto.
Mais uma vez ele cai. Ela o levanta. Vezes sem conta.

[10 anos passaram]

Ele foi-se embora. Mais uma vez. De vez.
Ela passou uma vida a lutar por alguém que não queria mudar.
E ninguém muda.
Ninguém foge aquilo que nasceu.
Mascarou-se.
E quando a máscara caiu, ela realizou que perante ela estava quem esteve sempre, desde o primeiro dia. Nem tanto, nem tão pouco, simplesmente o mesmo homem.
A desilusão preencheu-lhe os dias.
[o futuro pertence-lhe]

Passam vidas a depositar esperanças mortas, falsas expectativas, naqueles por quem fariam tudo. Nunca interiorizando que nem sempre estão dispostos a retribuir com o mesmo. E a Desilusão corre nas veias.
A culpa não é apenas de quem erra, mas também, de quem achou que o outro nunca ia errar.

Despedida...


Lembro-me do dia em que fiz a última viagem de comboio para te visitar, sabendo que quando regressasse te deixaria para trás...
Lembro-me de trazer apontamentos de alguma cadeira para estudar pousados no banco ao meu lado... Mas no entanto fiz uma retrospectiva dos últimos anos, os que passamos juntas.
Olhei pela janela, sabendo que o sabor daquela imagem nunca mais seria o mesmo. Quando repetisse aquela viagem, aquelas 2h, não teriam mais aquela duração...
Temi o tempo ter passado depressa demais...
Lembrei a primeira vez que fiz aquela viagem, num domingo cinzento de outubro de 2005... E ali estava eu, num final de tarde de uma 2ª feira de maio de 2008. Preparava-me para a nossa despedida...
Tu que recebes de braços abertos todos quanto te procuram, sendo quase certo que um dia te abandonarão. Tu que me fizeste mulher, tu que me deixaste provar o doce e intenso sabor da liberdade. Tu, que me mostraste que a vida nem sempre é como queremos, mas basta acreditar, que alcançamos e não há impossiveis. Tu, que me fizeste conhecer as mais doces pessoas. Tu que deixaste almas e anjos perenes na minha vida. Tu, que és imensa...

Sinto a tua falta. Sentirei. Nunca deixarei de sentir. Sinto-te contudo...
Até sempre Coimbra...

domingo, abril 19, 2009

Estações de Comboios...

Entre passos já marcados pelo tempo...
"O comboio num vaivém sem descanso... Leva e traz anseios... Aproxima e afasta esperanças... Carrega e descarrega ilusões..."

sexta-feira, abril 17, 2009

Dias

Há dias em que ela carrega 90 anos num corpo de 21...
Há dias em que simplesmente o corpo já não tem forças pra se levantar da cama... Outros em que a mente a obriga, e age como que computadorizada.
Há dias em que sorri mecânicamente... Eu tenho saudades do verdadeiro sorriso dela...
A vida exigiu demais dela, pediu-lhe mais do que ela poderia dar.

26/12/08