Pedaços

segunda-feira, setembro 30, 2013

Espera...!

Saber esperar é uma virtude. É sinónimo de paciência. É uma ânsia que sabe ser acalmada... É um saber o que se quer, porque se espera...
Mas há esperar, saber esperar e há esperas.
Sempre tive paciência...
Sempre esperei... Muitas vezes.
Esperei horas... Contei minutos. Adormeci ao som dos segundos do relógio.
Esperei de sol a sol para que outro sol nascesse atrás de outro. 
Sentei-me em estações de comboios, à espera do atrasado...
Do comboio de carga... De emoções.
Do foguete...
E daquele que nunca vem...
Esperei... Sempre esperei que ele viesse...
Sempre espero.
Sou mestre na arte de esperar.
Espero demasiado.
Das pessoas...
Mas espera.
Espero que sempre se lembrem, quanto as lembro.
Espero que se preocupem...
Espero que não se esqueçam...
Espero que nunca façam o que nao teria coragem de lhes fazer...
Mas espero tão mal.
Também espero que se fodam.
Cansei-me de esperar... 

segunda-feira, setembro 23, 2013

Devaneios

As insónias são sempre sinónimo de inquietação dizem os entendidos, ou dizem-se eles entendidos... Hoje poderei dizer o mesmo também.
Insónia é um desassossego, na alma... No coração. E se eu tiver algum dos dois, creio que algo me atormenta ambos, simultaneamente.
Conto as horas...
Ouço o tic-tac estridente do relógio e da máquina infernal que bate dentro de mim descompassadamente.
Adormeço.
Acordo com cães a ferrarem-me as entranhas, ou pelo menos sinto-os como tal... Com o rosto a queimar. No meu pesadelo ardi em chamas, mas são gotas salgadas que me queimam agora.
Agarro o ventre em posição fetal e volto a adormecer.
O despertador toca.
O corpo move-se quase de forma mecânica mas todos os pensamentos continuam a dormir. 
Todos os sentimentos hibernaram...
Trabalho a um ritmo que eu própria desconheço, movida pelo conhecimento já alienado do que faço, porque se me perguntam o que fiz hoje, já esqueci.
Volto a casa onde me reencontro com a alma que deixei na cama... Deito-me na esperança que ela se volte a unir com o meu corpo.

quinta-feira, setembro 19, 2013

De hoje, para sempre.

E o que levo do dia de hoje é que sempre dou muitas oportunidades para que me surpreendam... E apenas uma para que me desiludam. 

domingo, setembro 15, 2013

(des)Iludir

A RM algum dia me disse daquela mesa de cozinha que um dia chegou a ser nossa, enquanto tomávamos o pequeno-almoço num início de dia qualquer: "A culpa é sua fique sabendo." - disse ela com o seu sotaque brasileiro mas num tom sério que me deixava adivinhar que o que vinha eram palavras que eu levaria comigo quando deixasse aquela mesa, aquelas paredes, aquela casa... A faculdade ou mesmo aquela cidade. Sabia que aquelas palavras iam comigo para a vida. E assim foi...
Continuou: "A culpa dessa desilusão é toda sua. 'Cê sabe que quando gosta muito de alguém, você acaba pensando que essa pessoa vai agir sempre de igual para igual. Você gosta tanto que acaba criando uma expectativa alta na outra pessoa... Nunca ninguém prometeu que iria ser assim, mas você fica pensando que o facto de você estar lá sempre, que o facto de você gostar tanto, de você fazer tanto bem, nunca pensa que a outra pessoa possa fazer de outro jeito que não a mesma coisa para você. 'Tá vendo Lili?...  A culpa é sua. Você se ilude com seus pensamentos, é traída por eles... E acaba desiludida com seus sentimentos."
Levantei-me e pensei sobre isto... Remoí.  Mudei de casa... De cidade...
Passaram-se anos.
RM, enquanto escrevo pergunto-me o que pensarias tu se soubesses que após tantos anos, continuo a recordar-me das tuas palavras e a dar-te toda a razão do mundo, mas continuo a agir igual!?
Continuo a iludir-me... E a desiludir-me.
Continuo a criar expectativas e a destruí-las.
O que dirias tu RM?...
Desiludo-me acima de tudo com o facto de me desiludir... Ou de me iludir. Porque este ciclo vicioso é como uma teia de onde tentas fugir... Mas acabas sempre preso.
Por muito curto que seja, o sabor da falsa ilusão é sempre demasiado bom para ficar sem ele... E eu teimo em acreditar que um dia é diferente, continuo a acreditar nas pessoas... Esquecendo que existem más e escassam as boas.


[June 2013]

quarta-feira, setembro 11, 2013

Nada vale.

Sabes que não vale a pena varrer o chão e muito menos esconder o lixo debaixo do tapete.
Não vale a pena esfregar o soalho... Nem tão pouco levantar tacos. 
Não adianta pintar paredes, nem sequer colar papel de parede.
É em vão mudar cortinas, colocar portadas...
De nada vale...
Até ao dia em que acordares a sentir que as paredes já são diferentes.
Foram deitadas abaixo, construíram-se outras...
Que o chão foi colocado de novo. Com tijoleira anti-derrapante.
Que as janelas se abriram, e os seus vidros não são mais martelados.
Não adianta nem mudar de casa, enquanto os teus alicerces pertencerem a outra morada.

[mês 07 de 13]

terça-feira, setembro 10, 2013

Feliz acaso...

Hoje, olhei para ti por acaso, reencontrei-te por acaso...
Daqueles felizes acasos do destino. 
Acenaste e sorriste ao ver-me... 
Passou algum tempo, mas já não lembro quanto...
Já quase não me lembrava das linhas que contrais, do sorriso rasgado e sentido que desenhas quando os teus lábios se esticam ao forma-lo.
Não me lembrava de sorrires assim já há algum tempo quando me vias... Mas hoje iluminaste-me... Iluminaste-te. Ele iluminou-nos. 
Amanhã encontro-te novamente? À mesma hora? 

No espelho?...

Sorri, e virei costas... Abraçando um novo dia. Sorrindo... 


[01 July 13]