Pedaços

segunda-feira, abril 20, 2009

Uma vida, Uma história.

Ela cresceu com aquele homem na mente... Via-o todos os dias quando ele ia trabalhar... Tinham amigos comuns. Iam ao cinema, passeavam, partilhavam histórias, experiências, sonhos. Apaixonaram-se. Namoraram 3 anos. Casaram.
Tentaram construir com sacrifício um lar cujos alicerces deveriam ser carinho. Ternura. Arrisco Amor.
Ela engravidou.
Ele foi-se afastando.

[Uma criança nasceu.]

E trocou o lar por uma vida boémia.
Aos 3 meses de nascimento dessa criatura ele sai de casa.
Ela continuou a sua vida. Cresceu. Sua criança cresceu também.
Juntas viveram. Foram felizes.
Ela foi mãe, foi pai, foi heroína da história da vida dela. Deu o exemplo.
Um dia ele voltou.

[9 anos se haviam passado.]

O coração dela ainda era o albergue daquele pobre homem. Pediu perdão. Mostrou que queria mudar. Parecia ter mudado realmente. Ela perdoou.
Tentaram continuar com a obra que havia sido iniciada 10 anos antes, na madrugada de 1 de Janeiro daquele ano.
Mudaram de cidade. Mudaram de vidas. Saborearam a felicidade.

Porém, ninguém muda realmente.

[1 ano e 6 meses passaram]

Ele voltou ao mesmo. Rastejou. Jogou-se na lama. Arrastou-a juntamente à criança a que deram vida.
Ela mais uma vez foi heroína. Conseguiu levá-lo a bom porto.
Mais uma vez ele cai. Ela o levanta. Vezes sem conta.

[10 anos passaram]

Ele foi-se embora. Mais uma vez. De vez.
Ela passou uma vida a lutar por alguém que não queria mudar.
E ninguém muda.
Ninguém foge aquilo que nasceu.
Mascarou-se.
E quando a máscara caiu, ela realizou que perante ela estava quem esteve sempre, desde o primeiro dia. Nem tanto, nem tão pouco, simplesmente o mesmo homem.
A desilusão preencheu-lhe os dias.
[o futuro pertence-lhe]

Passam vidas a depositar esperanças mortas, falsas expectativas, naqueles por quem fariam tudo. Nunca interiorizando que nem sempre estão dispostos a retribuir com o mesmo. E a Desilusão corre nas veias.
A culpa não é apenas de quem erra, mas também, de quem achou que o outro nunca ia errar.

3 comentários:

rui disse...

Boas Tardes Tyta....
bem li essa historia que ai descreveu ..2 vezes para ver se conseguia fazer um comentario decente.
Será que essa senhora aguentou..emparou esse homem por amor a ele......por amor a filha
..provavelmente pelas duas coisas..
acreditou..sempre nele..tirou ele da porcaria varias vezes.....
porque seria...se nao fosse por essas causas...........
Tyta..... será que ele gosta ao menos da filha que hoje deve ser uma mulher?...na sua analise final .....quando acaba o texto..
voce culpa os dois..até de uma forma..pura.. verdadeira.. os dois acabam culpados desta situacao...

Nao sei em que epoca se passou essa historia... mas estou certo que hoje isso nao acontecia...

e agora vou .te agradecer o teu carinho..nos comentarios......
desejar-te um resto de tarde feliz
e se nao te importas um beijinho
Rui

Unknown Artist disse...

Nem todos os contos de fadas têm um final feliz..

'Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo fim,
qualquer um pode começar agora e fazer dele um meio,
para construir um novo fim.'

Penso que seria o mais agradavel de se ouvir em alturas assim...
Mas em alturas dessas, toda palavra, por mais carinhosa que seja, parece trazer uma pitada de amargura..
Tu sabes, que falo por experiencia propria!

Beijinho =)

Rabisco disse...

Olá Tyta!
Tens mesmo de me esclarecer uma coisa!
Mas que música é esta?
De que filme?
Tenho-a às voltas na minha cabeça...conheço-a muito bem até!
Mas não consigo recordar-me de onde...

Fico à espera!
Beijinhos