Pedaços

quinta-feira, julho 04, 2013

Apodrecer...

"Quero apodrecer contigo". 
Ridiculamente sentido, intenso e suave. 
Hoje desenho este apodrecer quando vejo mãos, enrugadas, mas ainda assim, dadas. Como se fosse a primeira vez, o primeiro toque, na primeira semana.
Quando vejo braços, ja frágeis, que são a muleta do outro.
Quando vejo alianças que não se usam nos dedos mas que vão ficar unidas por toda a vida, e depois dela. 
Quando vejo olhos delineados com linhas de tempo, mas sem sombras, senão de carinho que olham o outro, que olham pelo outro...
Quando vejo que a idade passa, a vida muda, as pessoas mudam...
Mas os sentimentos mantém-se... Até ao último  suspiro... Até mesmo depois dos corações apodrecerem... 
Até mesmo depois de tudo se ir, e ainda se respirar o amor que eles deixaram...
Pois as memórias tornam-os eternos... E o "quero apodrecer contigo" também.

2 comentários:

xtr3m disse...

Quero o pior do apodrecimento na sua ogânica tão complexa mas ao mesmo tempo simples, provocada pela natureza intrínseca de cada um dos elementos. Estou podre contigo, podre e nunca pensei que o último estado seria o da podridão, dos cheiros nauseabundos, as cores obscuras as texturas húmidas, conversas que ficam a meio de proposito, decisoes que nao foram tomadas, atitudes que conversar a esperança, esperança de que o nojo nos afaste para sempre um do outro. Não tenho nojo por ti, tenho qualquer coisa doentia que tem fases de remissão e fases de exacerbamento. E tu impávido e sereno, na tua podridão e eu na minha, eu na minha sozinho, tu na tua com qualquer outro que queira iniciar mais um ciclo de podridão.

xtr3m disse...

A podridão que nos afecta, que nos guia, que nos engana, nos trapaceia, uma podridão mantida presa por fios de pura seda virgem, a familiar podridão que tudo já está podre e como só conhecemos este sistema de coisa, não nos afecta. procuramos com isso encontrar alguém que perceba podridão e a orgânica dos tecidos que nos compoem e preenchem, no entanto uma organica podre, destinada ao eterno ou a morte.