Pedaços

quinta-feira, maio 23, 2013

Hoje, Apenas Hoje...

Hoje, resolvi escrever-te. 
Não espero que estas palavras sejam nada de especial, apenas que o seu valor o seja. 
Gostamos de palavras, temos jeito para elas... Gostamos de as ouvir, em silêncio, com música, entre risos, sorrisos. Gostamos sobretudo das que nos passeiam a mente...
Mas hoje, resolvi dar-lhes voz.
Sabes o quanto por vezes nos escondemos atrás delas?
As vezes que as usamos em nossa defesa...? E não são um escudo... 
Quantas vezes as usamos para ferir alguém? 
Não são espadas... Mas são capazes de rasgar almas... 
Sabes quantos laços fazemos e destruímos com elas?
O carinho que depositamos nelas? 
E o amor que se faz com elas, sabes?
Hoje, decidi abusar um pouco mais delas, e escrever-te.
Porque hoje, resolvi baixar a guarda... 
Hoje tenho as mãos vazias, mas o coração cheio. 
Hoje até a minha irmã de todos os dias decidiu deixar a porta do coração entreaberta... Até ela. 
E sabes, o Amor entrou... 
E o quanto que ela merecia? 
E o medo que ela tinha? 
Sim, ainda tem... 
Mas eu sonhava isto para ela. Há muito. 
É preciso derrubar as muralhas, deixar o sol brilhar.
Tenho o coração cheio.
E hoje... Sacudi os meus medos, mas não todos... 
E não só por isso, mas também, resolvi escrever-te, para te dizer que também eu tenho medo.
Mas ainda estou aqui.
Sempre fui mestre em fugir.
Sempre, que tive medo. "Muito Medo". Medo do que não sei... Nunca soube... Medo.
Mas o R. tem razão... Se nunca usarmos as palavras para enfrentar o Medo, nunca vamos saber. 
E como ele diria, todos temos medo de errar... Quem não tem?
Mas vale a pena arriscar. Deixar para trás a vergonha, o orgulho, porque no fim de contas, o que há a perder? 
Nada. 
Nunca ninguém perdeu em ser honesto. Transparente.
Nunca ninguém que não fosse digno de tal. 
Se abrir o coração nos faz mais pequenos? Não... É preciso ser-se enorme para o fazer.
Somos grandes, sobretudo na alma, e ambos temos mais de 1,60m de altura.
Amanhã não sei se o Sol nasce, se o meu coração não vai arrefecer de noite, se não vai mais uma vez acordar-me sobressaltado...
Mas por isso, hoje, Apenas Hoje, queria que soubesses  que ainda estou aqui.
Que não quero, nem espero, nem peço mais do que o que posso ter...
Mas mesmo assim, estou aqui.
De coração aberto.
Porque não abres o teu? De igual para igual. 
Não quero mais jogar, não quero ganhar nem perder... 
Por uma vez na vida, vou deixar valer o meio termo, o 50/50.
Não há nada a perder, mais do que nos perdermos de nós próprios.
Fala. Não és menos por isso. És Mais. 
Mais com Mais é sempre Mais. 
Menos com Menos, é sempre Mais... Silêncio. 
E estou cansada do nosso.
Não acredito que tenhamos esgotado as palavras. 
O silêncio pode ser onde as almas se encontram, para repousar, mas já nos cansamos?
Não acredito.
Como diria o R. apenas falta derrubar a barreira. Achas que conseguimos? 
Basta querer. Queres?
Então vem, porque hoje, apenas hoje, estou aqui. 
Amanhã, não sei.
Provavelmente, estarei. 


1 comentário:

Anónimo disse...

sem medos. derrubem barreiras. derrubem seja o que for que está no (vosso) meio. derrubem essas paredes de silêncio, porque o sol está do outro lado.

e é tão fácil, basta querer. mais nada :)

R.